Uns com tanto e outros com tão pouco.

São estes, na minha opinião, os respectivos titulares e segundas opções para cada posição nos plantéis dos 3 grandes.

Olhando para a qualidade e quantidade dos mesmo facilmente se percebe que o Benfica é o que vai na frente. Muita quantidade e também alguma qualidade.Na mó de baixo vai claramente o Sporting, com pouca profundidade e jogadores em sub-rendimento. Posição por posição analisemos:
GR: Ederson.O melhor guarda-redes do campeonato, muita qualidade com os pés, muito bem a controlar a profundidade e bons reflexos. A  segunda opção caso ele se lesione é igualmente a melhor dos 3 grandes, um guarda redes com muita experiência e que ainda cumpre muito bem.

DD:Nélson Semedo. O melhor defesa direito do campeonato, muito veloz, muito bom no 1×1, tecnicamente bom, peca por vezes na tomada de decisão mas ainda assim cria muito para o Benfica. Sem bola tem ainda algumas dificuldades, controla mal a trajectória da bola quando ela vai no ar, por vezes não respeita a linha defensiva, é algumas vezes ultrapassado no 1×1, mas esperemos que melhor. A segunda opção é Layun, muito bom tecnicamente, inteligente nas suas acções e com qualidade no posicionamento defensivo.

DC: Lindelof. O melhor central do campeonato, qualidade exímia com bola, sabe conduzir, passa muito bem, tabela para progredir, mantém sobre pressão. Sem bola, é rapido no controlo da profundidade, sabe quando deve sair para ir fazer a contenção ou esperar até o momento chegar ou chegar cobertura, sabe dobrar os colegas e sabe os princípios numa defesa em linha. A segunda opção é Lisandro, apesar de não ser particularmente fantástico com bola, tem alguma técnica. Sem bola é um terror completo, demasiado agressivo, não respeita a linha, não sabe quando fazer contenção passiva.

DC:Coates. O melhor central do Sporting. Muito bom com bola, passa muito bem, conduz bem, bom sob pressão, faz passes verticais muito bons, uma mais valia na equipa de Jorge Jesus. Sem bola também é fortíssimo, pois apesar de fisicamente ser fantástico, sabe os princípios, respeita uma linha defensiva, sobe quando o contexto assim o pede, controla muito bem a profundidade, no geral tem muita qualidade.A segunda opção neste caso é Jardel, que apesar de não ser um grande central, cumpre muito bem.

DE: Grimaldo. O melhor defesa lateral do campeonato. Com bola é uma delícia. Tanto dribla quando precisa, como dá no apoio interior, como tabela e progride. Dos melhores que por cá passaram. Sem bola ainda tem que aprender mas já mostra qualidade também. A segunda opção passa por Layún também cujas qualidades já foram enumeradas.

MDC: William Carvalho. Um médio defensivo com muita qualidade. Com bola é excelente, faz passes verticais que rompem linhas adversárias, lateraliza quando assim se pede, vira o centro de jogo quando o contexto pede, no geral sabe muito nos momentos com bola. Sem bola apesar de ser um pouco lento, sabe posicionar-se minimamente e dar equilíbrio á sua equipa. A segunda opção é sem dúvida Rúben Neves. Qualidade para ser o melhor do nosso campeonato, muito bom tecnicamente(mais no passe longo), decide muito bem a maior parte das vezes, criativo q.b., sem bola sabe posicionar-se também, apesar de não ser um monstro fisicamente como é Danilo.

MC: Óliver. Criatividade que chega e sobra, qualidade técnica que nunca mais acaba, tomada de decisão do melhor que há, e ainda é muito ágil em espaços curtos. O melhor médio em Portugal, e um dos melhores do mundo, tem tudo o que se precisa para ser de topo. A segunda opção é João Carlos Teixeira. Apesar de não ter sido muito utilizado é um miúdo com grande potencial, com muito criatividade, tecnicamente muito bom e que decide muito bem.

ME:Corona. Muita qualidade no drible, muito bom a associar-se com os colegas, muito bem também em zonas interiores, excelente tecnicamente. A segunda opção é Carrillo, que apesar de não estar a render muito, tem qualidade para tal, excelente no 1×1, associa-se muito bem, grande técnica, decide bem, criativo q.b., mas esta época não tem resultado.

MD: Brahimi. Brilhante no 1×1, tecnicamente muito dotado, muito criativo, associa-se muito bem com os colegas e tomada de decisão também muito bom, apesar de algumas vezes, porque não tem apoios, exagerar no drible. A segunda opção é Zivkovic, que mesmo com 20 anos devia ser titular no Benfica, o que demonstra muito o seu talento. Muito bom em espaços curtos, grande drible curtos, ágil, decide relativamente bem e tem um pé esquerdo espetacular.

2 Avançado: Jonas. O melhor jogador da liga portuguesa. Com 32 anos tem qualidade que nunca mais acaba. Muito inteligente, muito bom tecnicamente, muito criativo e por cima disso tudo ainda finaliza e marca muitos golos. Que mais se podia pedir. A segunda opção é Rafa, onde imprime muita qualidade em espaços curtos pois é muito ágil e tem um grande poder de aceleração bem como na transição ofensiva onde é um perigo.

Ponta de Lança: Dost. O melhor ponta de lança no campeonato. Fatal no jogo aéreo, excelente nos apoios e a segurar a bola. Tecnicamente muito competente e tem mil e um movimentos para atacar as zonas de finalização. A segunda opção é Castaignos, que apesar de não ter jogado muito, sempre que jogou mostrou alguma qualidade nos apoios e um perfil de decisão bom para um ponta de lança.

O Benfica lidera em titulares, tal como nas opções para cada posição. Esta análise para referir que o plantel do Benfica é de longe o que tem mais opções e tivesse um melhor treinador e iam ser ainda melhores.

                                                                                                                                                         Gonçalo

Jorginho

Começo este post por partilhar uma publicação do Honoris de Domínio Tático

Jorginho tem sido um dos melhores médios defensivos da Europa no último ano e meio, mas continua a ser extremamente subestimado. Pode não ser o médio defensivo mais forte fisicamente e no desarme, nem ser tão agressivo na recuperação de bola, mas é, sem dúvida, um dos médios defensivos mais inteligentes do futebol actual.

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A capacidade do italiano em perceber cada momento do jogo é notável. A percepção que tem de onde se colocar de modo a dar a melhor linha de passe ao companheiro ou de que espaços ocupar para desposicionar o adversário, as linhas de passe adversárias que deve cortar, que espaços ocupar para dar equilíbrio à sua equipa entre outras coisas é das coisas que mais me fascina no futebol actual.

Sarri encontrou em Jorginho alguém que o compreende e que lhe consegue ajudar no sentido de tornar a equipa mais fluída e controladora. Sem dúvida o binómio Sarri-Jorginho será para continuar a acompanhar e apreciar pois é dos mais interessantes actualmente.

Fica também a questão: Será que um jogador com esta percepção de jogo, um dia mais tarde terá competências para treinar?

Tiago Silva

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No clube que revelou Rafa aos adeptos do futebol português, tenta agora impor-se mais um jovem talento. Tiago Silva já tinha demonstrado a sua qualidade no clube no qual foi formado, o Belenenses, mas tenta agora fazer a diferença em Santa Maria da Feira, num clube que parece gostar de apostar em alguns jovens.

Tiago Silva é um médio centro ou médio ofensivo, frágil fisicamente mas muito acima da média dos clubes da nossa liga extra grandes nas outras vertentes. Destaca-se pelo seu discernimento e habilidade na interpretação dos momentos do jogo e pela sua criatividade, que acompanha a qualidade técnica que lhe permite passar à prática o que consegue raciocinar interiormente.

Estas qualidades supracitadas fazem dele um jogador apropriado para uma equipa que queira ter bola e controlar o jogo com bola. Penso que a posição ideal para o Tiago Silva e onde poderá demonstrar todo o seu potencial é a interior num 4-3-3, onde poderá fazer uso da sua capacidade técnica e criatividade, colocando a bola em situações de finalização favoráveis e gerir alguns ritmos do jogo.

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Fica aqui uma pequena amostra dele no jogo que opôs o Feirense ao Sporting, onde Tiago Silva entrou apenas no decorrer da segunda parte, mas ainda a tempo de mostrar a sua qualidade.

Esgaio

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O jogo de ontem deu para ver uma coisa. Esgaio é neste momento o melhor lateral direito do Sporting. Não que ele tenha mostrado algo que não tivesse mostrado até agora…

Ricardo Esgaio não é um jogador particularmente forte fisicamente. Nem é um jogador particularmente forte tecnicamente. É no entanto o lateral que melhor percebe o que fazer em cada momento do jogo. Se e quando é preciso dar equilíbrio dentro, quando dar largura, quando cruzar, quando jogar no apoio interior, quando temporizar e quando acelerar. É o lateral mais inteligente de todos os que começaram a época e é o que pode conferir maior qualidade ao nosso jogo. Porque trás ao nosso jogo uma das coisas que digo que nos tem faltado: critério.

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As opções para a posição que Esgaio ocupou no jogo de ontem são opções que, do jogo, pouco percebem. Até têm qualidades físicas e técnicas superiores às do nazareno. Mas não sabem como aplicá-las da melhor maneira. Esgaio, apesar da menor qualidade em termos físicos quando comparado com Schelotto e em termos técnicos quando comparado com João Pereira fica a perder. Mas no domínio cognitivo vence facilmente a comparação. Quantas vezes vimos o Schelotto fazer sprints notáveis para no final ganhar a linha de fundo e fazer um cruzamento disparatado e sem nexo, deixando espaços enormes para serem explorados? Quantas vezes vimos o João Pereira em situações semelhantes? Quantas vezes os vimos pressionar de forma errada? Quantas vezes os vimos meter velocidade sempre que tenham a bola, mesmo que o momento não seja o apropriado?

Esgaio torna a equipa mais equilibrada. É um jogador com um entendimento do jogo superior, mais responsável tacticamente, mais inteligente nas suas acções. Se chega para ser o lateral-direito titular duma equipa que lute pelo título? Não, não chega. Tecnica e fisicamente não chega. Não tem a criatividade para ser uma mais valia no aspecto ofensivo, não tem a técnica necessária para conseguir criar desequilíbrios e para ser mais uma unidade com grande preponderância no momento ofensivo. Mas é, de longe, o melhor lateral direito do plantel e, caso não haja contratações, deveria ser o titular na posição.

Sistema de pressão de Klopp impede Guardiola de jogar

Como muitos dos leitores já devem saber ou ter reparado, muito do jogo do City recai na procura de situações em que Silva e De Bruyne apareçam livres nos chamados halfspaces.

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Source: Spielverlagerung.com

Guardiola vinha pedindo aos seus centrais que tentassem o passe vertical diretamente para eles assim que fosse criada a oportunidade, através da circulação de bola na fase de construção. Depois a partir daí o City tem procurado criar situações de 1×1 para os seus extremos ultrapassarem o opositor direto no drible.

Neste jogo em concreto, City tentou criar isso partindo de uma saída de bola a 3 com Zabaleta numa posição híbrida entre lateral-direito e central direito, projetando Kolarov um pouco mais.

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Saída de bola a 3 por parte do City

Os comandos de Klopp tentaram, com sucesso, limitar então o acesso aos dois criativos de serviço da equipa de Guardiola.

Defendendo num 4-3-3 bastante estreito, os extremos dos reds cortavam a linha de passe direta entre o central e o interior do mesmo lado, impedindo assim o passe vertical para o halfspace. Na imagem acima podemos verificar isso mesmo, Zabaleta não consegue uma linha de passe segura para De Bruyne pelo que se vê obrigado a circular a bola.

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City em fase de construção vs 4-3-3 Liverpool

 

O Manchester City via-se assim impedido de chegar aos halfspaces. Liverpool dava por vezes a oportunidade para que Fernandinho ou Yaya Touré recebessem, mas eram imediatamente pressionados pelos interiores dos reds, impedindo-os assim de enquadrar.

Estando estes caminhos fechados, o City, tentava bascular para criar espaço para jogar pelo meio, mas essa basculação era lenta e incapaz de desposicionar a equipa orientada pelo alemão.

Assim, invariavelmente, o City acabava por tentar construir através das alas onde Kolarov e Sterling davam largura. Entrando a bola na ala, tudo se tornava mais fácil para o Liverpool, que poderiam ser mais agressivos e conseguiam o desarme ou provocavam erros.

Para além das linhas de passe cortadas pelos extremos, os interiores do Liverpool tinham instruções parar marcar De Bruyne e Silva quase homem a homem, ficando então estes com vigilância contante.

Quando a bola entrava nesse médio, tanto Firmino como o interior pressionavam agressivamente para que este soltasse rápido a bola, ou para a ala onde era mais fácil defender, ou de novo para os centrais.

Um passe para trás para os centrais funcionava como gatilho para a pressão e o Liverpool conseguia assim subir metros no terreno, empurrando o City de novo para o seu meio-campo.

https://streamable.com/u1ha6

Quando um dos centrais do Manchester City tentava conduzir, os extremos do Liverpool baixavam, formando uma linha de 4 com os dois interiores. Isto permitia que o homem do City responsável pela largura estivesse devidamente protegido, evitando assim o perigo. Os interiores dos reds ficavam então agora responsáveis por cortar a linha de passe para os criativos dos citizens e Firmino pelo médio centro do lado da bola. Bloco baixo e compacto permitindo pouco espaço entre-linhas.

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De Bruyne completamente tapado, Sterling controlado por Lallana, Firmino controla Fernandinho
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Manchester City passmap by @11tegen11

A imagem acima comprova o que disse anteriormente, pouca bola para Kevin De Bruyne e David Silva e muita bola para os alas e mesmo para os médios centros que eram incapazes de descobrir Silva e De Bruyne.

Encontrando-se a ganhar desde cedo depois de um golo marcado num contra-ataque, a equipa de Klopp impediu o Manchester City de fazer o seu jogo, concedendo assim poucas oportunidades. Uma boa estratégia tatica por parte do alemão, principalmente do ponto de vista defensivo. Ofensivamente criou perigo em alguns contra-ataques, conseguiu ganhar muitas segundas bolas depois de bater longo devido à boa ocupação do meio-campo, conseguindo manter a posse, ou pelo menos a bola, no meio-campo citizen e consequentemente longe da sua baliza. Conseguiu construir algumas boas jogadas partindo de trás mas não foi de todo uma prioridade.

Deixo aqui mais alguns lances onde se pode ver a boa pressão por parte do Liverpool impedindo o City de fazer o seu jogo.

https://streamable.com/9n4kc

https://streamable.com/a9zgj

https://streamable.com/cqpuu

Foi principalmente um bom jogo defensivamente do Liverpool em conjugação com falhas por parte do City na construção de jogo interior, levando o jogo sempre para os corredores onde se tornou mais fácil para os reds defenderem.

Paciência na circulação e saber o momento para acelarar: o exemplo do Borussia Dortmund e do Tottenham

Estes dois exemplos exaltam o que eu defendo que deve ser uma equipa de futebol na circulção de bola e esperar o momento certo para acelerar.

A paciência na circulação de bola, o arrastar de adversários, o uso do apoio frontal, o jogo interior, a desmarcação de rotura, tudo isto explícito nesses dois exemplos o que fez com que se criasse oportunidades de golo.

Napoli e Arsenal:o uso dos apoios frontais e o princípio do 3 homem

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Como o Jorge no último post referiu, o Napoli de Maurizio Sarri é a melhor equipa em organização ofensiva e a que mais prazer dá a ver jogar. Seja pelos mecanismos que usa para sair da pressão, seja pela qualidade dos posicionamentos, seja pela facilidade com que cria o engondo nos adversários para pressionar e para momentaneamente sair da contenção passiva para ir pressionar e deixar espaço, é no seu todo uma equipa brilhante.
Porém é por outra coisa que este Nápoles me apaixona tanto, o seu jogo entre-linhas e os movimentos para estimular isso mesmo. É porventura a equipa que mais fomenta e estimula o jogo entre-linhas que eu conheço no futebol, e o princípio do 3 homem.

Neste clip(https://streamable.com/af2sb)dá para perceber isso mesmo,com a circulação de bola e com pequenas desmarcações em apoio(Insigne a baixar e a atrair um jogador consigo) que os jogadores fizeram,e com um passe , Hamsik por pouco não fica isolado na cara do guarda redes(má receção de bola).

O mesmo se passa em alguns destes lances(https://streamable.com/48d8o).Ora isto tudo só é possível com paciência na circulação, com criatividade coletiva para arranjar espaços e haver quase telepatia entre colegas, com apoios próximos e constantes ao redor do portador da bola, e depois com a obsessão que os jogadores têm e que o treinador lhes incutiu ,em esperar pelo momento certo para fazer o passe vertical(ou muitas vezes até diagonal, de central para extremo do lado oposto) para a bola entrar entre setores adversários.
Com o que referi, consegue-se quebrar blocos muito compactos, com pouco espaço entre as suas linhas.

Mais dois exemplos disso mesmo(https://streamable.com/lipu1),(https://streamable.com/nqq2b) que com 3rd man run´s a equipa do Arsenal de 2003/2004 quebrou blocos defensivos razoavelmente compactos. Este clip(https://streamable.com/n09em), mostra a importância que o princípo do 3 homem e as tabelas têm para penetrar no bloco defensivo adversário.

Eu partilho da obsessão do Napoli pelo jogo entre-linhas.Para mim é o melhor caminho para atacar, enquadrar jogadores com a última linha adversária, e com tempo e espaço(por muito pouco que ele seja) para descobrir um colega e isolá-lo na frente do guarda redes. Existem mil e um movimentos para fazer isso mesmo,  mas a qualidade dos jogadores também conta e muito.

PS:Agradeço desde já ao Jorge pelo convinte e aceitei-o com todo o prazer, pois fala de futebol e com opiniões e argumentos bem formados e sempre na base da discussão saudável. Espero que gostem do que vou escrever por cá, e digam as vossas opiniões nos comentários.

Gonçalo