O novo regista de Alcochete

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Antes de mais, dizer que adoro sempre ver a equipa de juvenis do Sporting jogar. Muita qualidade técnica e inteligência dos intervenientes aliado ao conhecimento do técnico João Couto, que tem como resultado uma equipa preparada para dominar os jogos e asfixiar o adversário.

Hoje o adversários era Os Blenenses, um clube que tem trabalhado cada vez melhor nos escalões de formação e que demonstrou em Alcochete isso mesmo. Apresentou uma equipa com uma ideia de jogo clara e positiva, tentou lutar pelo resultado e foi À procura de marcar golos. Entrou pressionante, tentando condicionar a equipa leonina logo na primeira fase de construção, conseguindo muitas recuperações de bola em zonas altas do terreno, o que empurrou um pouco o Sporting para terrenos não muito habituais, o que é sempre de louvar.

Até que o Sporting fez uma das coisas que me levou a escrever este post. Começou a gerir a posse de bola, a acalmar os ânimos do jogo e a impor o seu estilo, de posse e de domínio. Isto levou a que o Sporting perdesse menos bolas para a pressão alta do Belenenses e que fosse possível agora encosta-los à sua área.

Isto só foi possível devido à qualidade técnica e inteligência dos jogadores leoninos, mas também à extensa malha de linhas de passe que João Couto consegue impor na sua equipa. Podia então destacar a qualidade técnica e visão de jogo de Bernardo Sousa, ou o brilhantismo de Diogo Brás que marcou hoje uns incríveis 4 golos, o potencial evolutivo de Babacar Fati e Rodrigo Vaza e muitos outros. Mas escolho por escrever sobre um dos mais importantes jogadores desta mesma equipa, mas ao mesmo tempo um dos jogadores menos mediáticos: o capitão Bavikson Biai.

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Bavikson Biai é um médio defensivo não muito forte fisicamente, que faz da sua capacidade de passe o seu ponto forte. Bastante mais posicional que o típico médio da formação leonina, Bavikson não deixa, por isso, de ser um jogador com as características clássicas de um médio tipo de Alcochete, isto é alguém com grande visão de jogo e inteligência às quais alia a qualidade técnica necessária para executar tudo o que pensa. Capaz de meter o passe vertical ou de rodar de um flanco para o outro quando necessário. Capaz de segurar a bola e atrair os adversários até si, de descobrir espaços onde eles parecem não existir. Alguém que, apesar de não parecer, consegue ser criativo nas suas acções. No fundo, alguém que controla todo o jogo desde o seu posto na posição 6. Um regista, como diriam caso tivesse sido formado em terras italianas.

Para além de tudo isto, Bavikson é ainda um líder nato, que promove a união do grupo e não tem medo de chamar a si as responsabilidades, envergando desde cedo a braçadeira da capitão.

Professor Xavi

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Quem melhor que Xavi para explicar alguns dos conceitos base do Barcelona? O fantástico espanhol explica, num pequeno texto, melhor do que alguma vez poderia explicar, alguns conceitos, uns mais fáceis e outros mais difíceis, sob os quais foi construída uma das melhores equipas da história.

Xavi explicam com uma clareza tal a criação de superioridade, o conceito do homem livre e o princípio do terceiro homem que os processos se tornam de compreensão e aparentam ser de uma enorme facilidade de execução. Mas indica também a necessidade de avaliar situação a situação, enaltecendo a importância do discernimento de cada jogador e apontando para a inexistência de uma fórmula mágica.

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Algumas deficiências defensivas do Sporting frente ao Rio Ave

Não consigo perceber o nível que o Sporting apresenta.. Em organização defensiva, em transição defensiva, assustadores. A linha defensiva sempre pouco basculada leva a que o espaço entre os jogadores do mesmo sector seja enorme. William passa mais tempo a tapar os buracos da linha defensiva do que na sua posição. Constantes marcações hxh por parte dos laterais, dos centrais, e até dos médios. Não se entende..

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Um lance sem complexidade nenhuma mas que no Sporting actual leva a mil e um ajustes. O nosso “lateral” direito (recuso-me a dizer o nome daquela aberração) apenas preocupado em perseguir o avançado. Paulo a ter que ocupar o espaço que era do lateral, William a ter que ocupar o espaço que era do central. Coates e Jefferson tão longe da zona da bola aumentam o espaço entre elementos do mesmo sector. Adrien demasiado lento a bascular.

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Novamente a mesma situação, a mesma quantidade de ajustes. Não há cobertura defensiva a Gelson porque cada jogador está preocupado com o “seu” adversário. PO sai da linha defensiva, William baixa para central. A distância entre os 2 centrais novamente enorme, incompreensível.

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Outro comportamento que não consigo entender, principalmente contra adversários com a qualidade individual do Rio Ave. Extremos na linha defensiva, deixando a largura TODA da linha média para apenas os dois médios. A facilidade com que o médio do Rio Ave consegue enquadrar para a linha defensiva do Sporting por causa deste comportamento..

Podia colocar aqui mais exemplos de marcações hxh em diferentes situações mas acho que estes 3 exemplos já dão para perceber o nível defensivo do Sporting

E ainda hoje me doeu a alma ao ver o Iuri jogar tanto e depois ver o Bruno Cesar a extremo no Sporting, colado na ala esquerda só para cruzar..

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Las Palmas e Sevilha: diferenças na construção

Como já aqui foi dito na semana passada, o Sevilha tem problemas, na minha opinião, na primeira fase de construção. Os médios descem demasiado, chegando quase a vir tirar a bola do pé do central, impedindo uma boa ocupação do espaço central dentro do bloco adversário. Isto leva a que os médios tenham de arriscar passes verticais com grande probabilidade de insucesso ou então que levem o jogo para as alas. Ora, existem duas consequências disto:

  1. Se o passe vertical do médio é interceptado,o adversário fica com muito espaço para delinear bem uma transição rápida, uma vez que não há ocupação do espaço central.
  2. A lateralização do jogo na fase de construção orienta a equipa para as alas, mesmo em fase de criação, o que retira algumas vantagens que derivam da utilização do corredor central no momento ofensivo.02a3uzn

Este é, para mim, um dos principais problemas do Sevilha actual. Este posicionamento menos eficiente na construção leva a que a equipa não aproveite na plenitude os seus recursos. A linha lateral leva, à priori, a uma diminuição das opções. No corredor central é possível criar muito mais dúvida ao adversário, pelo que deve tentar utilizar-se ao máximo.

Talvez a razão pela qual Sampaoli faz isto seja por os centrais não serem particularmente fortes na construção, o que leva a que não confie tanto neles para iniciar a construção. Ainda assim penso que a solução poderia passar por outros meios. Um deles seria abandonar, por agora, o esquema de 3 centrais e apostar numa saída de bola semelhante à que Jesus cria nas suas equipas, com N’Zonzi a aparecer entre os centrais no momento de construção, de modo a criar superioridade numérica. Outro seria incorporar um dos médios defensivos, N’Zonzi por exemplo, na defesa a 3, conferindo assim maior capacidade na saída de bola, o que iria permitir uma maior ocupação do corredor central dentro do bloco adversário por parte dos médios. Esta opção tem o problema de ser necessário tempo para que N’Zonzi crie rotinas próprias da linha defensiva, que demoram o seu tempo a assimilar correctamente.

Para além deste erro, também é comum precisamente o oposto, isto é, os médios não desceram, não criando assim superioridade numérica.

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Do outro lado esta uma equipa com uma construção de jogo que me agrada muito mais. O médio defensivo do Las Palmas desce, geralmente, para junto dos laterais para criar superioridade numérica e os outros dois médios fazem movimentos de aproximação, oferecendo linhas de passe dentro do bloco adversário. Na saída de bola o Las Palmas é uma equipa muito mais compacta que o Sevilha, o que lhe permite entrar mais vezes dentro do bloco adversário e ter uma saída de bola muito mais fluida. O guarda-redes canarinho também tenta participar na construção porém, apesar de ter bons pés, a sua tomada de decisão é geralmente fraca, originando vários erros que poderão custar ao Las Palmas uma contra ataque perigoso e consequentemente golos. Hallilovic aparece também muitas vezes a receber dentro do bloco, no lugar de um médio deixando o corredor para o lateral-direito, entretanto projectado, oferecendo assim mais uma linha de passe que permite ao Las Palmas penetrar o bloco adversário.

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Excelente posicionamento por parte do Las Palmas na construção. Neste caso o passe não foi o melhor o que levou a que a decisão tomada pelo médio que recebe dentro do bloco não fosse a melhor. Tocando para o lado oposto, Roque Mesa recebia enquadrado e já em progressão, num movimento que seria semelhante a um muito visto no jogo do Nápoles.

Outras situações de construção por parte do Las Palmas, com bons posicionamentos.

Neste próximo vídeo vemos a boa circulação do Las Palmas, com os jogadores sempre preocupados em dar linha de passe e em manter a posse em segurança, ao mesmo tempo que tentam penetrar no bloco. Se tivermos atenção ao médio defensivo vemos a preocupação dele em saber quando é necessário descer para entre os centrais para criar superioridade numérica ou quando não é preciso, colocando-se mais à frente, dando uma linha de passe que permita progredir. Bem diferente do que acontece no Sevilha.

E neste pequeno vídeo podemos ver uma má tomada de decisão por parte do guarda-redes que decide iniciar a construção de forma curta quando não estava criada uma situação numérica e posicionalmente favorável. Posicionamento deficitário.

O ponto fraco desta equipa das canárias é o momento defensivo, tanto em transição (apesar de até criarem algumas boas contenções ofensivas, nomeadamente por parte de Roque Mesa), como em organização, onde são bastante fracos e permeáveis, o que os impede de estarem numa posição mais elevada na tabela.

Suso e Matías

AC Milan v FC Internazionale - Serie A

No encontro da Lázio e do AC Milan de hoje pudemos assistir a um momento mágico de Suso, com um grande grande golo. Mas, prestando mais atenção, reparamos num pormenor engraçado.

Suso estava a ser marcado de forma agressiva, impedindo que recebesse. Matías movimenta-se para oferecer linha de passe. Esta linha de passe que Matías tentou criar, abriu, mesmo que inconscientemente, espaço para que Suso pudesse receber e enquadrar. Ou seja, mesmo que a intenção de Matías não fosse a de abrir espaço para o espanhol, a sua acção criou dúvida nos defesas romanos, dúvida essa que foi essencial para o golo de Suso, mesmo que o mérito seja 90 ou 95% do espanhol.

Scouting – Bielik

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  • Nome: Bielik
  • Idade: 19 anos
  • Nacionalidade: Polónia
  • Posição: Defesa Central
  • Clube: Birmingham (empréstimo Arsenal)
  • Pé Preferencial: Direito
  • Altura: 1,89m
  • Valor de Mercado (TM): 1,5M

No seguimento do post anterior, sugiro agora então um defesa central que preenche algumas das características referidas no post anterior.

Bielik é uma das jovens promessas polacas. Chegado ao Arsenal em 2015, proveniente do Légia de Varsóvia, Bielik rapidamente foi adaptado de médio defensivo para defesa central onde, de resto, se tem dado bem e apresentado alguns bons resultados.

O jovem oriundo de Konin destaca-se, entre outras coisas, pelo contributo que dá com bola ao jogo. Capaz de usar com grande eficácia a ferramenta dos passes verticais, como se pode constatar neste pequeno vídeo, com pequenos clips recolhidos de vídeos do YouTube.

O polaco mostra-se ainda, para além disto, bastante resistente à pressão adversária, seja utilizando a sua envergadura física para proteger a bola, seja utilizando a sua técnica, driblando mesmo alguns adversários directos.

Já no capítulo sem bola, Bielik demonstrou-se forte no desarme, bem como inteligente em algumas leituras de jogo que lhe permitem realizar algumas antecipações interessantes. Ao nível da compreensão da linha defensiva, necessita de evoluir mas penso que, com o treinador certo e com os estímulos certos facilmente corrigirá esse aspecto do seu jogo. Não pareceu ser muito veloz, mas o suficiente para jogar numa defesa alta, especialmente se tiver um companheiro ainda mais rápido que ele.

Parece ainda, apesar de não poder afirmar com total certeza, ter capacidade de liderança, merecendo mesmo a braçadeira de capitão na equipa jovem do Arsenal.

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Internacional jovem pela Polónia, não tardará muito até entrar na lista de observação do seleccionador nacional, assim tenha ele tempo de jogo em palcos maiores que a liga de reservas inglesa. Já integrou, inclusivamente, treinos e a pré-época da equipa principal, sob o comando de Wenger, conhecido pela aposta em jovens. Veremos como corre este empréstimo ao Birmingham, equipa que compete na 2ª liga inglesa. Tentarei seguir atentamente e recomendo que façam o mesmo!

Deixo aqui um vídeo do YouTube onde poderão ver algumas acções da jovem promessa polaca.

Sevilha e Villarreal no Ramón Sánchez Pizjuán

De visita ao Ramón Sánchez Pizjuán, Fran Escriba cedo percebeu que a sua equipa não poderia alinha com uma defesa subida, devido ao perigo que as desmarcações em profundidade de Jovetic e, principalmente, Ben Yedder, servidos pelos fantásticos, criativos e imprevisíveis Nasri, Vázquez e N’Zonzi.

A estratégia adoptada pelo treinador do submarino amarelo foi então a de juntar duas linhas de 4, bastante compactas e baixas, defendendo num 4-4-2 com marcação zonal onde cada jogador tinha uma posição bem definida.

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Quando um dos jogadores do Sevilha dava uma linha de passe entre as duas linhas de 4 do Villarreal, a linha defensiva baixava e a linha média pressionava o jogador que aparecia entre-linhas a receber.

Assim que o Villarreal conseguia reaver a bola partia rapidamente para a transição ofensiva, sem dar tempo ao Sevilha para se reorganizar. A estratégia ofensiva do Villarreal foi capaz de produzir algumas, não muitas, situações de golo. Porém, a eficácia, ou falta dela, impediu que surgisse o golo.

Após perda da bola o submarino amarelo tentava uma reacção forte e pressão rápida mas rapidamente voltava a juntar as 2 linhas de 4 se verificava que a pressão não era eficaz.

A estratégia aparentava ser relativamente boa, apesar de não ser muito fã de defesas tão baixas. Contudo, algumas referências individuais permitiram ao Sevilha desposicionar o adversário criando bastante perigo.

Apesar desta boa organização do Villarreal, os comandos de Sampaoli ficaram, na minha opinião, muito aquém do que poderia ter realizado.

Existe uma evidente falta de ligação entre os sectores andaluzes, parecendo até que dependem demasiado dos passes verticais do médio defensivo N’Zonzi ou até de Nasri quando este desce. Raramente apareceu alguém nas costas da primeira linha de pressão do Villarreal, apenas apareciam jogadores entre as duas linhas de 4, algo que retirou fluidez ao jogo andaluz.

Como podemos ver na figura 1, a saída de bola é feita quase a 4. Adoptando um esquema de 3 centrais, como foi o caso com Mercado, Lenglet e Rami, N’Zonzi não pode, na minha opinião, aparecer tão profundo. Compreendo a opção tomada por uma menor capacidade dos centrais com bola, em especial Rami, mas não foi de todo a mais eficaz.

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Com um homem a aparecer nas costas dos dois homens mais adiantados do Villarreal o Sevilha poderia ter criado bastante mais desequilíbrios, obrigando a linha média do submarino amarelo a maiores movimentações e estimularia o jogo interior da equipa de Sampaoli. Para isso os centrais teriam de assumir mais a fase inicial de construção.