Scouting – Charlie Colkett

Eu sei que o último post de scouting foi sobre um médio. Mas esta semana volto a trazer-vos um jogador para uma posição semelhante, ou não se chamasse este cantinho “O Meio Campo”. Falo de Charlie Colkett.

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  • Nome: Charlie Colkett
  • Idade: 20 anos
  • Nacionalidade: Inglaterra
  • Posição: Médio Defensivo / Médio Centro
  • Clube: Chelsea
  • Pé Preferencial: Esquerdo
  • Altura: 1,76m
  • Valor de Mercado (TM): 100 mil

Charlie Colkett é apenas mais um dos inúmeros talentos da geração de 96/97  da academia do Chelsea. O clube londrino, suportado pelos vários milhões de Abramovich, tem apostado forte na formação, com resultados bem visíveis. Um desses resultados é precisamente o jogador que hoje irei analisar.

O pequeno (1,76m) médio inglês, nascido em Londres desde cedo mostrou apetência para o futebol, sendo internacional jovem inglês em vários escalões. Com uma visão de jogo assinalável e qualidade técnica de sobra, Charlie Colkett pode actuar em duas posições do meio-campo: ou como médio defensivo criador num sistema que o proteja minimamente (quem sabe um duplo pivot) ou como médio centro num meio campo a dois com várias responsabilidades defensivas.

Com a sua soberba visão de jogo, Charlie é capaz de rodar rapidamente o centro de jogo, com passes precisos que facilitam a recepção, mas de difícil intercepção, levando a que a sua equipa consiga encontrar facilmente espaços para progredir e por onde atacar. Pensa sempre em antecipação, para minimizar o tempo de raciocínio com bola no pé, permitindo uma circulação rápida, essencial numa equipa grande. Falta-lhe gerir um pouco melhor os ritmos pois por vezes talvez execute demasiado rápido quando poderia ter pausado um pouco mais o jogo. Mas isso é algo em que pode melhorar, sendo mais fácil trabalhar isso do que trabalhar a capacidade de antecipação do jogo e a capacidade de ler o jogo mesmo antes de receber a bola.

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Porém, o talentoso esquerdino não limita o seu jogo à componente ofensiva, sendo muito capaz no desarme e com uma agressividade positiva e muito interessante na pressão defensiva. Não tem a compleição física do ‘típico’ trinco, sendo muito menos forte e mais baixo, mas muito mais rápido e ágil. Precisamente por isto é que penso que a sua evolução poderá passar por se adiantar um pouco no terreno, mais para a posição 8 ou actuando num duplo pivot com alguém de perfil um pouco diferente do seu a seu lado de modo a que possam complementar-se.

Também a nível do transporte de bola o londrino mostrou-se capaz, mas foi perceptível que prefere fazer a bola correr do que correr com ela. O que para mim é sempre de louvar porque a bola é sempre mais rápida sozinha do que se for no pé de alguém, mas também é importante ser-se competente no transporte.

Actualmente encontra-se emprestado ao Bristol Rovers, clube da 3ª divisão ingelsa, onde tem sido utilizado como médio ofensivo. Contudo, penso que recuando um pouco no terreno terá tudo a ganhar com isso.

Deixo aqui um vídeo da actuação dele pelas reservas do Chelsea contra as reservas do Tottenham. mas com uma rápida pesquisa no YouTube podem encontrar outras compilações. Como cereja no topo do bolo, Colkett é capaz de toques geniais, artisticamente e de grande eficácia, que nos deslumbram e nos fazem pagar bilhete para ir ao estádio pois, no final de contas, o futebol existe para nos dar prazer.

Falando numa perspectiva mais pessoal, gostava de o ver no Sporting, apesar de ter consciência de que será algo quase impossível, fazendo a posição do Adrien, até porque acho que encaixaria perfeitamente no modelo de Jesus, tendo qualidades para ele muito importantes, tanto do ponto de vista defensivo pela forma como pressiona e desarma como do ponto de vista ofensivo pela forma como consegue abrir espaços e por ser capaz no transporte, condição muito importante no modelo de Jorge Jesus.

A ajuda do treinador – Tiago Fernandes

O trabalho de um treinador, para mim, passa por facilitar a vida aos jogadores. Como é que isto é possível?  Dando aos jogadores o maior número de opções possíveis, garantindo diferentes formas, diferentes caminhos de atingir o objectivo. Isto pode ser feito de várias formas, como por exemplo aproximando vários jogadores da bola, de modo a potenciar o aumento das linhas de passe, juntar os sectores da equipa de modo a ter uma equipa compacta, conseguir alargar o campo quando em momento atacante, de modo a abrir brechas na organização adversária etc. Existem diversas formas de o fazer. E se o treinador for bem sucedido na sua missão, os jogadores conseguirão esconder as suas debilidades e potenciar as suas qualidades.

Foi isso que Jorge Jesus fez com Adrien e Slimani, por exemplo, jogadores com limitações mas cujo treinador conseguiu esconder, ao mesmo tempo que  potenciava as suas qualidades, para bem do colectivo e com o consequente aumento do valor de ambos. É por exemplo o que Conte está a conseguir fazer com David Luiz agora no Chelsea. O quão comum era ouvir falar de erros de David Luiz que custavam pontos às suas equipas? E até agora, quantas vezes se ouviu falar mal de David Luiz este ano?

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Para mim esta é a melhor forma de avaliar o desempenho de um treinador. Através da evolução qualitativa dos jogadores e da equipa. Um bom treinador é capaz de levar uma equipa ao sucesso, fazendo com que os jogadores escondam as suas debilidades e até as consigam corrigir e potenciando ao máximo as suas qualidades. É isso que os grandes treinadores fazem. Foi isso que o Jesus fez com o Adrien e com o Slimani recentemente, foi isso que o Sarri fez com o Allan e com o Koulibaly, por exemplo, foi isso que Guardiola fez com Xavi e Busquets etc. E esta situação é ainda mais acentuada na formação, onde um treinador tem de tentar ao máximo potenciar as qualidades dos seus jovens jogadores e tentar corrigir as suas fragilidades e as suas dificuldades. E é tudo isso que não vejo Tiago Fernandes, treinador dos júniores do Sporting fazer.

No outro dia vi a equipa de júniores do Sporting derrotar a equipa do Nacional da Madeira. Uma equipa mediana/fraca (com todo o respeito pelo Nacional) quando comparada com a equipa do Sporting. Mas o Tiago, apesar de ser bem visto pela estrutura do Sporting, não foi capaz de facilitar a vida aos seus jogadores. Vê-se alguns movimentos padronizados, como por exemplo na fase de construção projecta o lateral e obriga o médio a ocupar o espaço dele. Mas qual a vantagem desta movimentação se depois deixa o corredor central sem ninguém? Se não dá linhas de passe ao médio e obriga a bater longo no corredor oposto ou no lateral que está muito profundo?

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Com a ajuda de apenas um homem no corredor central (ainda por cima com tanto espaço), a acção de Daniel Bragança seria muito mais facilitada. Assim é obrigado a bater longo, diminuindo as chances do passe ser bem sucedido, ou no lateral que está muito profundo, sendo também uma acção de difícil execução, que é o que acaba por fazer. Melhor ainda, se houvesse um homem no corredor central, este facilmente enquadrava e poderia encontrar muito mais soluções pois iria encontrar (idealmente) em apoio frontal, na esquerda e na direita, pelo menos. assim fica limitado a centrar para a área, pouco povoada, ou a jogar curto depois da subida do Daniel.

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Aqui novamente a movimentação padrão. Linha demasiado baixa. Não há progressão com bola. Lateral demasiado profundo dificultando a contrução pois a linha de passe exige um passe complicado com elevado risco de perda de bola. Zero aproveitamento do corredor central, nem mesmo como auxílio à exploração das alas, se a ideia for atacar pelas alas de modo a ser mais fácil defender em caso de perda de bola, já que é mais fácil encurtar o espaço na linha lateral. Zero condução por parte dos centrais também (que até têm qualidade técnica). Zero tentativas de quebra de linhas adversárias através de passes verticais a não ser quando colados à linha. A equipa prefere bater longo mesmo a partir dos guarda-redes e dos centrais porque o modelo não oferece condições para construir desde trás…

Não são exploradas e potenciadas as qualidades técnicas dos nossos centrais porque o modelo não lhes permite construir partindo de trás, nem físicas pois temos dois centrais rápidos, capazes de jogar numa linha muito subida que permitiria sufocar o adversário, mas que teima em ser uma linha muito baixa. Os centrais não são expostos aos estímulos que os poderão tornar em jogadores de topo no futebol actual, onde cada vez mais o central tem de pensar o jogo como um médio, como um 10.

E o mesmo se passa com os médios, que passam a maior parte do tempo fora do bloco adversário, não desenvolvendo por isso capacidades  que lhes permitam ser jogadores de topo no futebol actual, onde os espaços são cada vez menores e os jogadores necessitam de encontrar soluções para essas situações. A forma de os fazer evoluir nesse sentido é coloca-los nesses espaços apertados, mas apresentar-lhes soluções para sair de lá. Não afastando-os o máximo possível desses espaços.

Football - 2016 Durban U19 International - Semifinal - South Africa U19 v Sporting - Moses Mabhida Stadium

Para além disto, esta padronização e oferta de poucas soluções torna a equipa muito mais previsível, sendo portanto muito mais facilmente anulada. Prevejo inclusivamente uma pequena queda nos resultados nesta segunda volta. Mas que não deverá ser entrave à conquista do campeonato pois acredito piamente que esta equipa será campeã, principalmente pela grande qualidade individual desta geração.

Uma equipa muito à quem do que se exige a uma equipa de júniores de um grande, ainda para mais nesta primeira fase, onde a diferença qualitativa entre as equipas é tão grande. As equipas de júniores deveriam ser capazes de ter um domínio ofensivo avassalador, ser eficazes na construção e criação de jogo, ser capazes de explorar todos os corredores, desde corredores laterais, ao central, passando pelos half-spaces e não limitar-se aonde for mais fácil defender. Quem é prejudicado neste processo são os jogadores que irão chegar ao futebol sénior sem terem desenvolvido as capacidades necessárias para serem bem sucedidos no futebol mundial. Porque não têm sido expostos aos estímulos certos. Isto tudo do meu ponto de vista claro… Haverá quem discorde.

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Mas para mim há muita coisa mal nos júniores e equipa B do Sporting, as últimas etapas da formação dos jogadores. Desde o planeamento da época com plantéis superlotados, onde vários jogadores não têm tido minutos de jogo (onde verdadeiramente se evolui), onde houve muitas contratações desnecessárias, impedindo que muitos joguem no patamar competitivo mais adequado ao seu desenvolvimento até à escolha de treinadores incompetentes, incapazes de desenvolver as dificuldades dos jogadores e de as esconder oferecendo-lhes o maior número possível de opções e incapazes de potenciar e explorar as suas qualidades e/ou qualidades necessárias para o futebol actual. Há coisas a mudar se pretendemos continuar a ser um dos melhores formadores da Europa.

Scouting – Pedro Rodrigues

Como já devem saber por esta altura, eu não gosto de médios defensivos que sirvam só para destruir jogo (à lá Danilo). Muito pelo contrário, eu aprecio essencialmente o contributo ofensivo dos jogadores à equipa. No futebol português o grande ataca em 80% do tempo, por isso ter um jogador que sirva só para destruir jogo acaba por ser desvantajoso, pois perdes um homem na fase ofensiva, perdendo assim por vezes a superioridade numérica. Mas como é óbvio, o Médio Defensivo é, como o próprio nome diz, defensivo, pelo que também terá de saber defender e destruir jogo adversário. Posto isto, hoje trago-vos um jogador do qual já estive para escrever, um médio defensivo à minha imagem. Falo do benfiquista Pedro Rodrigues.

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  • Nome: Pedro Rodrigues
  • Idade: 19 anos
  • Nacionalidade: Portugal
  • Posição: Médio Defensivo
  • Clube: Benfica
  • Pé Preferencial: Direito
  • Altura: 1,83m
  • Valor de Mercado (TM): 250 mil

Pedro Rodrigues é mais um da fantástica fornada de 1997 a sair do seixal, uma fornada semelhante à de 93/94 do Sporting, onde é possível encontrar qualidade em todos os sectores, podendo observar uma equipa agradável no seu modo de jogar. O médio defensivo tem sido muitas vezes comparado a Busquets e, de facto, as comparações não são descabidas, uma vez que o estilo de ambos os jogadores é semelhante. (Em qualidade, apesar do Pedro ter em abundância, não me parece que consiga chegar ao patamar do Busquets que, para mim, se não é o melhor médio defensivo da actualidade, anda lá por cima).

O jovem benfiquista é então um médio defensivo como idealizo. Um médio criador de jogo desde trás, jogando sempre de cabeça levantada, sempre observando todos os momentos do jogo, tendo por isso uma visão de jogo invejável. É capaz de descobrir linhas de passe com grande facilidade, já que sabe  sempre onde se encontram os seus colegas por observar sempre o jogo de cabeça levantada, à procura da solução mais vantajosa para a sua equipa, sendo por isso bastante rápido a rodar a bola, impedindo que a equipa adversária consiga fechar os espaços. Para além de pensar em adiantado, o Pedro alia a isto uma grande qualidade no passe, tanto curto como longo, sendo por isso capaz de executar os passes que imagina na sua cabeça.

Defensivamente, o jovem internacional português, apesar de não ser um prodígio, tem evoluído de forma agradável. Não é, nem nunca será o momento do jogo em que oferece mais, mas como disse o médio defensivo tem de saber defender e acho que o Pedro está a dar os passos certos para melhorar nesse aspecto. Por ser um jogador algo lento, tem por vezes dificuldades em acompanhar alguns contra-ataques, por exemplo, mas compensa isso com a tal evolução ao nível do posicionamento e do desarme. Fisicamente, para além de ser algo lento, não é nenhum Matic que também consiga impor respeito pelo físico, mas não se acanha perante adversário fisicamente mais evoluídos.

 

Deixo aqui um vídeo, de outro blog, que tem uma opinião semelhante à minha acerca do Pedro.

Pedro Rodrigues é então um médio defensivo criativo, muito capaz na construção de jogo e uma grande ajuda ofensivamente, conseguindo descobrir espaços na organização adversária e também rodando rapidamente a bola para obrigar o adversário a movimentar-se e a abrir espaços na sua fase defensiva. No capítulo defensivo, apesar de ter evoluído nos últimos tempos, ainda tem bastante margem para crescer.

Da equipa B do Benfica também há outro jogador que me encante de sobremaneira, o médio ofensivo João Carvalho, mas de quem não falarei pois já toda a gente o conhece.

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Weigl ou Kimmich?

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Fica aqui este post para darem a vossa opinião sobre estes dois grandes jogadores alemães. Weigl ou Kimmich, quem escolheriam vocês? E outra pergunta interessante, jogariam em que posição?

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As opiniões de alguns leitores

A sondagem continua aberta para quem quiser participar.

A minha opinião vai de encontro à opinião da maioria dos leitores do blog. Kimmich é mais ágil e rápido e mais versátil também. Mas a ter de escolher um escolhia o jovem prodígio do Dortmund. Um dos melhores médios defensivos da actualidade, extremamente completo, com um posicionamento ótimo, uma leitura do jogo impressionante e um contributo enorme na fase de construção. Muito do sucesso do Dortmund passa/passará por ele. Criativo em algumas das suas decisões e um porto seguro para a bola. Importante na manobra ofensiva da equipa ao mesmo tempo que oferece segurança no momento defensivo. Sem dúvida um fenómeno com 21 anos. Contudo uma palavra para Kimmich que é outro enorme jogador. O futuro alemão é risonho.

Volto a repetir que a sondagem continuará aberta para quem desejar participar e um obrigado a quem já o fez.