A época do Sporting resumida num vídeo

AD mostrava no outro dia, em mais um grande post no Domínio Tático (ver aqui), um vídeo que, na minha opinião, resume a época do Sporting na perfeição. Tal como ele diz, é uma situação paradigmática do Sporting versão 2016/2017 e, como já aqui foi referido, uma das razões que podem explicar o fracasso desta época desportiva.

No vídeo podemos ver Schelotto a receber a bola ainda no seu meio-campo e ataca o espaço livre. Porém, começam logo aqui os erros habituais. Schelotto, numa das suas correrias habituais que tantas vezes arrancam aplausos das bancadas de Alvalade, avança ferozmente em direcção à linha final, sem nunca pensar sequer em qualquer outra alternativa. Nem em progredir para um espaço mais central para aumentar o seu leque de opções, nem em combinar com ninguém que já lá esteja (neste caso Geraldes), nem em fazer nada de diferente, nada que crie incerteza no adversário. Pelo contrário, faz um dos seus movimentos habituais: ganhar a linha de fundo e cruzar, muitas vezes sem tentar garantir, muitas vezes, que o cruzamento é feito em condições vantajosas para a equipa. Neste caso ganhou um canto. Mas desperdiçou a oportunidade de poder ter criado uma situação bem mais vantajosa para a equipa. Não há intenção de tentar manipular o adversário com bola. A escolha pelo caminho mais rápido e mais fácil, não leva, de todo, a melhores resultados. Este é um dos grandes problemas desta equipa.

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Mas, para além desta falta de imprevisibilidade, esta falta de criatividade da equipa, que tende a recorrer sempre aos mesmos movimentos, (que só não levou a uma época pior porque apareceu um fantástico Bas Dost, a tornar meias oportunidades em golos) estas acelerações e esticões constantes em que se baseia o jogo do Sporting tem efeitos bem mais nefastos. Como já foi referido neste blog inúmeras vezes, o ataque é a primeria defesa e a defesa o primeiro ataque. Com isto queremos dizer que, em situação ofensiva, deve haver a precaução de preparar a equipa para uma eventual perde de bola que possa ocorrer. Deste modo, aumentamos a eficácia da reação à perda, conseguindo recuperar a bola em posições avançadas, ainda com o adversário desposicionado. Esta é, para nós, a melhor forma de defender. E é também a opinião que Vítor Pereira passava na sua recente entrevista.

Ora, estes constantes esticões e acelerações, que os jogadores do Sporting tanto parecem gostar, impossibilita, ou pelo menos torna muito difícil, que haja um correcto posicionamento e uma correcta preparação para eventuais perdas. Consequentemente, a equipa fica bem mais exposta a contra-ataques perigosos. Esta poderá ser uma das explicações para as derrotas e empates que a equipa sofreu, principalmente numa primeira fase da época. A partir daí, a equipa começou a entrar numa espiral negativa, que foi impedindo o aparecimento de resultados positivos, criando uma bola de neve incontrolável. Depois começaram a aparecer cada vez mais erros defensivos, mais referencias individuais a nível da organização e transição defensivas, mais receio de arriscar soluções ousadas e fora da caixa no momento ofensivo etc.

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E aqui as culpas repartem-se pelos vários partidos. Primeiro pelo perfil dos próprios jogadores, que estão já predispostos a situações destas. Segundo por parte do treinador que, para além de não corrigir estas situações, parece até incentivá-las.

O Jorge Jesus desta época tem sido uma desilusão porque ao invés de continuar a evolução que parecia vir demonstrando o ano passado, parece que regrediu rumo a erros do passado que tão caro já lhe custaram e estão a custar. Esperemos então que esta época sirva como aviso a Jorge Jesus e que esta perceba o que tem de mudar. Até porque tem jogadores bastante interessantes para o fazer.

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Nos últimos tempos tanto se tem falado de Arsène Wenger, seja porque mais uma vez falhou o seu objetivo, seja porque a sua postura parece aborrecer os adeptos arsenalistas. Mas vamos focar nos na sua evolução como treinador, e com isso a mudança de perfil de jogador.

Há 20 anos no clube londrino, o treinador francês desde cedo implementou as suas ideias e revolucionou o futebol inglês, caracterizado pelo jogo muito vertical, de bola longa e agressivo. Sabendo disso, e sabendo do tipo de jogadores que se privilegia lá, tentou jogar o seu futebol(passe curto, tabelas, construção apoiada) com esse tipo de jogadores onde os atributos fisícos prevaleciam, apesar de existirem alguns com bons atributos técnicos, mas muito poucos com a qualidade na decisão que o jogo de posse pede.

Gilberto,Petit,Vieira para enumerar alguns,foram os centrocampistas de Arséne Wenger nos primeiros tempos do Arsenal e inclusive na famosa época dos Invincibles, onde os atributos físicos e a capacidade de conduzir a bola e rasgar as defesas britânicas tão mal organizadas eram visíveis e resultaram na perfeição, apesar de Vieira ter outra qualidade em relação aos colegas. Nas alas Petit,Ashley Cole,Lauren,Ljungberg,Ray Parlour foram alguns dos extremos e laterais que Wenger usou nos primeiros tempos no Arsenal, onde na frente de ataque jogavam Kanu,Henry,Anelka e Bergkamp entre outros. Ora deste conjunto de jogadores, muito atléticos, velozes,possantes, altos, muito bons nos duelos,só alguns deles possuiam as qualidades técnicas e de decisão que Wenger queria. Temos o exemplo de Bergkamp e Henry, mas também podemos dizer que Vieira e Pirès tinham esse tipo de perfil.

O tempo foi avançando, os jogadores foram mudando, mas do nada surgiu um menino espanhol que viria a mudar tudo. Este menino de nome Cesc Fabregàs, a cara da mudança que o futebol estava a sofrer, permitiu finalmente a Wenger mudar o estilo de jogador e construir a sua equipa á volta do espanhol. Desde aí entraram jogadores como Rosicky, Reyes,Cazorla, Wilshere, Ramsey, Alexis,Arteta,Chamakh,Carlos Vela e Arshavin na equipa do Arsenal.De jogadores que eram monstros físicos mas alguns com qualidade, para baixinhos e tecnicistas mas com uma qualidade e criatividade incrível. Obviamente que existiram e existem jogadores muito fortes fisicamente, como Giroud,Van Persie,Koscielny ou até jogadores que apesar de não serem fortes fisicamente eram relativamente altos, como é o caso de Ozil e mais recentemente Iwobi( os dois tem 1.80 m de altura), mas todos eles com alguma coisa de bom para dar á organização ofensiva de Wenger.

Ora nesta pequena e muito sumarizada recordação e viagem pelo Arsenal, reparamos que seja qual for o tipo de jogador, o futebol é o mesmo. Tabelas, apoios frontais, construção apoiada e muita criatividade individual e coletiva. Todos os jogadores que mencionei e muito mais que ficaram de fora, fizeram e fazem parte do excelente futebol do Arsenal e da evolução do futebol, que teve o seu espelho em Arsène Wenger. Só me resta agredecer.

Obrigado Lenda.

Gonçalo

Laterais: a nova evolução

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Ao longo dos últimos tempos, os laterais, jogadores anteriormente focados na fase defensiva, ganharam uma enorme preponderância ofensiva e tornaram-se peças vitais na manobra ofensiva de qualquer equipa.

Contudo, esta evolução ofensiva dos laterais levou, como consequência, a uma evolução defensiva e a uma maior exigência de recursos ofensivos por parte desses mesmos laterais. Estas crescentes exigências levaram a duas situações: por um lado encontrar laterais capazes de corresponder ao exigido em termos ofensivos e por outro os que conseguem alcançar os níveis exigidos no plano ofensivo revelam uma tendência para descompensar as equipas defensivamente, criando dificuldades nesse plano.

Estes problemas levaram a que os treinadores reflectissem tendo como objectivo solucionar alguns destes problemas.

Alguns treinadores, como por exemplo Pochettino, não parece disposto a abdicar da importância de ter duas unidades bastante ofensivas e capazes de conferir largura à sua equipa. Também Conte parece ser adepto desta ideia. Esta pode ser a razão pela qual ambos os treinadores adoptaram um 3-4-3 com 3 centrais e dois alas, responsáveis por conferir largura máxima à sua equipa no momento ofensivo. Para além dos 3 centrais, que permitem criar superioridade numérica em fase de construção permitindo uma saída “limpa” de bola desde terrenos recuados, no meio-campo da equipa também há um espaço reservador para um recuperador de bolas, nomeadamente Wanyama e Kanté. Estes treinadores acreditam que esta solução lhes permite alguma segurança defensiva, fazendo com que os alas tenham tempo de recuperar defensivamente.

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Outros treinadores, porém, preferem não os adiantar tanto no terreno tão frequentemente, incluindo-os mais vezes em fases de construção. Guardiola nos últimos tempos testou variadas vezes colocar os laterais em posições mais interiores, quase como médios, de modo a conseguir progredir desde trás e soltando os médios mais criativos para terrenos mais avançados para que estes estejam mais próximos da baliza e onde possam ser mais decisivos. Nesta solução, quem está responsável por oferecer a largura são os extremos. Este posicionamento mais aberto que os extremos tomam leva a que se criem com maior facilidade situações de 1×1. Sané e Sterling são inumeras vezes colocados, deliberadamente, em situações destas.

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Outra das opções para incorporar os laterais na construção é usada por vezes por Sarri. O treinador napolitano, por vezes, coloca o lateral próximo dos centrais aquando da saída de bola, ao invés do médio defensivo como se tem vindo a popularizar. Esta solução liberta o médio defensivo para posições mais adiantadas do terreno. Penso que Sarri valoriza esta situação porque a forma criada no centro do terreno auxilia os jogadores nos movimentos padrão do Nápoles onde se aplicam inumeras vezes o princípio de 3º homem, em movimentos muitas vezes apelidados de “wall pass”, criando espaço nas costas do primeiro receptor, que poderá ser aproveitado por um 3º jogador.

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Por onde passará a evolução da posição de lateral? Estaremos a presenciar uma mudança de paradigma nesta posição? Ou urge melhorar, ao invés, os métodos de treino e de formação nesta posição para que os jogadores possam atingir os níveis ofensivos pretendidos sem compremeter defensivamente?

 

O novo regista de Alcochete

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Antes de mais, dizer que adoro sempre ver a equipa de juvenis do Sporting jogar. Muita qualidade técnica e inteligência dos intervenientes aliado ao conhecimento do técnico João Couto, que tem como resultado uma equipa preparada para dominar os jogos e asfixiar o adversário.

Hoje o adversários era Os Blenenses, um clube que tem trabalhado cada vez melhor nos escalões de formação e que demonstrou em Alcochete isso mesmo. Apresentou uma equipa com uma ideia de jogo clara e positiva, tentou lutar pelo resultado e foi À procura de marcar golos. Entrou pressionante, tentando condicionar a equipa leonina logo na primeira fase de construção, conseguindo muitas recuperações de bola em zonas altas do terreno, o que empurrou um pouco o Sporting para terrenos não muito habituais, o que é sempre de louvar.

Até que o Sporting fez uma das coisas que me levou a escrever este post. Começou a gerir a posse de bola, a acalmar os ânimos do jogo e a impor o seu estilo, de posse e de domínio. Isto levou a que o Sporting perdesse menos bolas para a pressão alta do Belenenses e que fosse possível agora encosta-los à sua área.

Isto só foi possível devido à qualidade técnica e inteligência dos jogadores leoninos, mas também à extensa malha de linhas de passe que João Couto consegue impor na sua equipa. Podia então destacar a qualidade técnica e visão de jogo de Bernardo Sousa, ou o brilhantismo de Diogo Brás que marcou hoje uns incríveis 4 golos, o potencial evolutivo de Babacar Fati e Rodrigo Vaza e muitos outros. Mas escolho por escrever sobre um dos mais importantes jogadores desta mesma equipa, mas ao mesmo tempo um dos jogadores menos mediáticos: o capitão Bavikson Biai.

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Bavikson Biai é um médio defensivo não muito forte fisicamente, que faz da sua capacidade de passe o seu ponto forte. Bastante mais posicional que o típico médio da formação leonina, Bavikson não deixa, por isso, de ser um jogador com as características clássicas de um médio tipo de Alcochete, isto é alguém com grande visão de jogo e inteligência às quais alia a qualidade técnica necessária para executar tudo o que pensa. Capaz de meter o passe vertical ou de rodar de um flanco para o outro quando necessário. Capaz de segurar a bola e atrair os adversários até si, de descobrir espaços onde eles parecem não existir. Alguém que, apesar de não parecer, consegue ser criativo nas suas acções. No fundo, alguém que controla todo o jogo desde o seu posto na posição 6. Um regista, como diriam caso tivesse sido formado em terras italianas.

Para além de tudo isto, Bavikson é ainda um líder nato, que promove a união do grupo e não tem medo de chamar a si as responsabilidades, envergando desde cedo a braçadeira da capitão.

Professor Xavi

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Quem melhor que Xavi para explicar alguns dos conceitos base do Barcelona? O fantástico espanhol explica, num pequeno texto, melhor do que alguma vez poderia explicar, alguns conceitos, uns mais fáceis e outros mais difíceis, sob os quais foi construída uma das melhores equipas da história.

Xavi explicam com uma clareza tal a criação de superioridade, o conceito do homem livre e o princípio do terceiro homem que os processos se tornam de compreensão e aparentam ser de uma enorme facilidade de execução. Mas indica também a necessidade de avaliar situação a situação, enaltecendo a importância do discernimento de cada jogador e apontando para a inexistência de uma fórmula mágica.

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Algumas deficiências defensivas do Sporting frente ao Rio Ave

Não consigo perceber o nível que o Sporting apresenta.. Em organização defensiva, em transição defensiva, assustadores. A linha defensiva sempre pouco basculada leva a que o espaço entre os jogadores do mesmo sector seja enorme. William passa mais tempo a tapar os buracos da linha defensiva do que na sua posição. Constantes marcações hxh por parte dos laterais, dos centrais, e até dos médios. Não se entende..

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Um lance sem complexidade nenhuma mas que no Sporting actual leva a mil e um ajustes. O nosso “lateral” direito (recuso-me a dizer o nome daquela aberração) apenas preocupado em perseguir o avançado. Paulo a ter que ocupar o espaço que era do lateral, William a ter que ocupar o espaço que era do central. Coates e Jefferson tão longe da zona da bola aumentam o espaço entre elementos do mesmo sector. Adrien demasiado lento a bascular.

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Novamente a mesma situação, a mesma quantidade de ajustes. Não há cobertura defensiva a Gelson porque cada jogador está preocupado com o “seu” adversário. PO sai da linha defensiva, William baixa para central. A distância entre os 2 centrais novamente enorme, incompreensível.

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Outro comportamento que não consigo entender, principalmente contra adversários com a qualidade individual do Rio Ave. Extremos na linha defensiva, deixando a largura TODA da linha média para apenas os dois médios. A facilidade com que o médio do Rio Ave consegue enquadrar para a linha defensiva do Sporting por causa deste comportamento..

Podia colocar aqui mais exemplos de marcações hxh em diferentes situações mas acho que estes 3 exemplos já dão para perceber o nível defensivo do Sporting

E ainda hoje me doeu a alma ao ver o Iuri jogar tanto e depois ver o Bruno Cesar a extremo no Sporting, colado na ala esquerda só para cruzar..

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Las Palmas e Sevilha: diferenças na construção

Como já aqui foi dito na semana passada, o Sevilha tem problemas, na minha opinião, na primeira fase de construção. Os médios descem demasiado, chegando quase a vir tirar a bola do pé do central, impedindo uma boa ocupação do espaço central dentro do bloco adversário. Isto leva a que os médios tenham de arriscar passes verticais com grande probabilidade de insucesso ou então que levem o jogo para as alas. Ora, existem duas consequências disto:

  1. Se o passe vertical do médio é interceptado,o adversário fica com muito espaço para delinear bem uma transição rápida, uma vez que não há ocupação do espaço central.
  2. A lateralização do jogo na fase de construção orienta a equipa para as alas, mesmo em fase de criação, o que retira algumas vantagens que derivam da utilização do corredor central no momento ofensivo.02a3uzn

Este é, para mim, um dos principais problemas do Sevilha actual. Este posicionamento menos eficiente na construção leva a que a equipa não aproveite na plenitude os seus recursos. A linha lateral leva, à priori, a uma diminuição das opções. No corredor central é possível criar muito mais dúvida ao adversário, pelo que deve tentar utilizar-se ao máximo.

Talvez a razão pela qual Sampaoli faz isto seja por os centrais não serem particularmente fortes na construção, o que leva a que não confie tanto neles para iniciar a construção. Ainda assim penso que a solução poderia passar por outros meios. Um deles seria abandonar, por agora, o esquema de 3 centrais e apostar numa saída de bola semelhante à que Jesus cria nas suas equipas, com N’Zonzi a aparecer entre os centrais no momento de construção, de modo a criar superioridade numérica. Outro seria incorporar um dos médios defensivos, N’Zonzi por exemplo, na defesa a 3, conferindo assim maior capacidade na saída de bola, o que iria permitir uma maior ocupação do corredor central dentro do bloco adversário por parte dos médios. Esta opção tem o problema de ser necessário tempo para que N’Zonzi crie rotinas próprias da linha defensiva, que demoram o seu tempo a assimilar correctamente.

Para além deste erro, também é comum precisamente o oposto, isto é, os médios não desceram, não criando assim superioridade numérica.

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Do outro lado esta uma equipa com uma construção de jogo que me agrada muito mais. O médio defensivo do Las Palmas desce, geralmente, para junto dos laterais para criar superioridade numérica e os outros dois médios fazem movimentos de aproximação, oferecendo linhas de passe dentro do bloco adversário. Na saída de bola o Las Palmas é uma equipa muito mais compacta que o Sevilha, o que lhe permite entrar mais vezes dentro do bloco adversário e ter uma saída de bola muito mais fluida. O guarda-redes canarinho também tenta participar na construção porém, apesar de ter bons pés, a sua tomada de decisão é geralmente fraca, originando vários erros que poderão custar ao Las Palmas uma contra ataque perigoso e consequentemente golos. Hallilovic aparece também muitas vezes a receber dentro do bloco, no lugar de um médio deixando o corredor para o lateral-direito, entretanto projectado, oferecendo assim mais uma linha de passe que permite ao Las Palmas penetrar o bloco adversário.

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Excelente posicionamento por parte do Las Palmas na construção. Neste caso o passe não foi o melhor o que levou a que a decisão tomada pelo médio que recebe dentro do bloco não fosse a melhor. Tocando para o lado oposto, Roque Mesa recebia enquadrado e já em progressão, num movimento que seria semelhante a um muito visto no jogo do Nápoles.

Outras situações de construção por parte do Las Palmas, com bons posicionamentos.

Neste próximo vídeo vemos a boa circulação do Las Palmas, com os jogadores sempre preocupados em dar linha de passe e em manter a posse em segurança, ao mesmo tempo que tentam penetrar no bloco. Se tivermos atenção ao médio defensivo vemos a preocupação dele em saber quando é necessário descer para entre os centrais para criar superioridade numérica ou quando não é preciso, colocando-se mais à frente, dando uma linha de passe que permita progredir. Bem diferente do que acontece no Sevilha.

E neste pequeno vídeo podemos ver uma má tomada de decisão por parte do guarda-redes que decide iniciar a construção de forma curta quando não estava criada uma situação numérica e posicionalmente favorável. Posicionamento deficitário.

O ponto fraco desta equipa das canárias é o momento defensivo, tanto em transição (apesar de até criarem algumas boas contenções ofensivas, nomeadamente por parte de Roque Mesa), como em organização, onde são bastante fracos e permeáveis, o que os impede de estarem numa posição mais elevada na tabela.