Scouting: América Latina – excluindo Brasil e Argentina

Tal como em ocasiões anteriores, temos a preciosa colaboração de Vylela com o blog, no departamento de Scouting. Desta feita olha para os valores emergentes da América Latina que poderão representar oportunidades de negócio interessantes. Aqui ficam as suas observações:

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Bruno Mendez – Central de 19 anos do Wanderers, capitão da selecção sub20, está na linha da frente para herdar o lugar de Godín / Gimenez / Coates, tendo já se estreado pela selecção A num duplo confronto vs França e Brasil. Em ambos os jogos impressionou (as apreciações foram que parecia que jogava todos os domingos vs Mbappés e Neymars), tendo sido notícia no seu país as palavras de Giroud que lhe augurou “see you soon in Europe”. Defesa com aquela garra tipicamente charrúa, ou seja um autêntico monstro nos duelos físico e nas bolas divididas, acrescenta a qualidade com bola e no passe que cada vez mais se exige aos defesas. Procura jogar em antecipação, e é adepto de uns tantos slaloms à Coates como nós bem conhecemos, sendo em comparação com o central do Sporting bem mais rápido e portanto apto a jogar com linha defensiva em cima da linha de meio campo. A falta de centímetros (os sites dizem que tem 1m84 mas sinceramente pareceu-me ter menos) poderá parecer um ónus, mas do que vi é um jogador que ganha a grande maioria das bolas no jogo aéreo.

José Luis Rodriguez – Lateral direito de 21 anos do Danubio, indiscutível pelo seu clube e com trajecto feito pelas selecções jovens (quase 30 jogos a nível sub20, incluindo um Mundial sub20 onde o Uruguai eliminou Portugal). Lateral alto (1m82), perfil físico bastante atlético, muito robusto e resistente, que faz o vaivém com facilidade. Essencialmente é um jogador equilibrado: a atacar tem uma finta larga mas eficaz, boa recepção de bola, e procura muito o espaço interior (quer através do passe ou da condução), o que o torna mais imprevisível; contudo não deixa de ser um jogador eficaz na fase defensiva, recuperando a posição com facilidade e com alta taxa de eficácia no desarme limpo. Uma espécie de Cancelo menos virtuoso, não sendo de estranhar que Real Madrid e Atlético Madrid o tivessem tentado contratar há um par de meses (falou-se num valor a rondar os 3M€ para o Real Madrid, valor perfeitamente ao alcance do Sporting; o acordo com os merengues caiu quando percebeu que iria começar pelo Castilla)

Leonardo Fernandez – Médio ofensivo de 20 anos do CA Fénix, equipa que evitou à rasca a despromoção e bem pode agradecer ao contributo deste jogar (11 golos e 12 assistências em pouco mais de 30 jogos, números à Bruno Fernandes). Já sinalizado à anos como um jogador de grande talento no seu país, esta foi a sua época de afirmação ao ser treinado por Juan Ramon Carrasco, um treinador com uma filosofia ultra atacante que o beneficiou tremendamente. Tem um pé esquerdo à Rodrigo Amaral, verdadeiramente dotado, mas acrescenta o dinamismo, profissionalismo, e falta de kg que o jogador do Racing não tem: jogador baixo, veloz, muito mexido, que decide e executa rápido. Nível técnico no geral muito elevado. Dos melhores na América do Sul a bater bolas paradas. Fala-se com insistência de uma transferência para o futebol mexicano.

 

 

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Carlos Cuesta – Central de 19 anos do Atlético Nacional. Titular no último mundial sub20 com 18 anos, é visto no seu país como o novo Davinson Sanchez, sendo que há quem diga que tem qualidade para ir mais longe do que o central do Tottenham (pessoalmente parece-me exagero). Não sendo um central particularmente imponente em termos físicos (foge ao perfil dos últimos centrais a saírem da Colômbia, como Yerry Mina ou o já referido Davinson), mas impressiona pela qualidade em todos os momentos, jogando com um à vontade pouco habitual para a idade. Com bola é um tratado, fazendo a diferença quer pelo passe quer pela condução, bastante rápido, boa leitura de jogo (consegue antecipar lances em que o outro central Henriquez, com quase o dobro da sua idade, ser viria em dificuldades por causa da falta de pernas) e com muita qualidade no tackle. Salta à vista a maturidade com que joga, de alguém que se afirmou desde muito cedo (titular do Atlético Nacional aos 17 anos) e que não se assusta com a adversidade (recordo-me de um jogo na Copa Sud-Americana em que começa no banco, entra por volta dos 10 min para lateral devido a uma lesão, e depois com a expulsão de um companheiro de equipa aos 30 min joga o resto do jogo a central; a sua equipa viria a ganhar o jogo sem consentir mais golos com Cuesta em campo). O seu 1m80 poderá ser um factor negativo para quem mede centrais aos palmos, mas quem avalia centrais pelo que jogam não tem dúvidas que Cuesta fará furor na Europa quando der o salto. Faz-me lembrar bastante Ivan Córdoba.

Andrés Amaya – Extremo de 17 anos do Atlético Huila, uma das equipas mais fracas da Colômbia, onde se assume como craque da equipa, não tendo o seu talento passado despercebido ao The Guardian que o inclui naquela lista dos 60 jovens futebolistas mais promissores do mundo. Ala direita canhoto, mais talhado para assistir do que para finalizar, super veloz e forte no 1v1 (recorre muito à lambreta tipicamente sul americana), que se torna mais perigoso quando tem espaço para explorar. O seu jogo tem um pouco de showoff, mas que acaba por ser consequência natural do talento e da falta de maturidade, permitindo-o mudar jogos de um momento para o outro com um lance imprevisível. Aparenta ser um jogador abnegado e generoso, que participa na fase defensiva, logo creio que poderá actuar sem problemas uns metros mais atrás como médio ala. Infelizmente os vídeos dele foram removidos, portanto não arranjei maneira de deixar uma amostra aqui, mas fica o belo golo de cabeça que marcou o mês passado e decidiu o jogo grande vs o Atlético Nacional. Jogador já apontado ao Manchester City e à Roma. Daqueles que se fosse brasileiro custava 20M€.

Jader Valencia – Ponta de lança de 19 anos do Millonarios. Integrado na selecção sub20 colombiana, onde é habitualmente titular. Avançado com um perfil curioso, um pouco como Rafael Leão, dada a mobilidade pouco comum para a altura que tem (1m89). Passa por alguma indefinição quer em termos posicionais (muitas vezes utilizado como extremo quando isso lhe favorece bem menos do que a avançado centro) e até físicos (precisa de bastante trabalho neste aspecto, parece uma cana de bambu e assim vai passar mal na Europa), mas tem condições inatas muito raras que bem trabalhadas podem dar cartas por cá. Canhoto, veloz (cada passada dele vale por 2 de um jogador “normal”), com grande facilidade no drible curto, e inclusive com frieza na finalização, particularmente de cabeça onde tem uma técnica de cabeceamento incomum. Tem um remate seco e forte, e é daqueles que não pede licença para rematar. Uma base muito interessante mesmo, e dá me ideia que o seu clube não o valoriza muito dado que raramente sai do banco jogando sempre o argentino Gabriel Hauche, logo seria muito acessível em termos financeiros. Urge vir rapidamente para a Europa, na Colômbia não terá o treino especializado e o acompanhamento para dar o atleta de elite que o poderá vir a ser.

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Jairo Concha – Médio centro de 19 anos da Universidad San Martín, uma equipa algo irrelevante no panorama peruano mas que aposta com grande regularidade em jogadores jovens (média de idades da equipa ronda os 21 anos), sendo Concha o craque da mesma. Jogador baixo mas dinâmico, com boa técnica, que assume as despesas do jogo da sua equipa e a faz jogar graças à sua visão de jogo e capacidade para simplificar lances. Forte no drible e em espaços curtos, precisa de trabalhar o seu remate, que é pouco perigoso. Apesar do físico franzino, não se encolhe nas disputas físicas e é mais talhado para jogar como interior do que a 10. Semelhanças com Oliver Torres.

 

 

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Ignacio Saavedra – Médio defensivo de 19 anos do Universidad Católica (CDUC). Visto como o jogador mais diferenciado e mais importante da equipa campeã chilena (melhor em campo em jogos cruciais como o vitória com o Colo Colo, onde secou Valdivia), e inclusivamente como o jogador mais promissor dos últimos 12 anos (geração Sanchez + Vidal), num país que está a revelar dificuldade em renovar a sua geração de ouro. Jogador com óptima leitura de jogo, não é dado a jogadas vistosas, mas joga sempre bem e tomando a melhor decisão. Tem um futebol essencialmente simples e curto, mas também é capaz de executar passes longos. Defensivamente é uma carraça, com um agressividade positiva contagiante, sendo que este lance é exemplificativo, apesar de ser extremamente perigoso e pouco recomendável. Encaixaria muito bem no actual modelo de jogo do Sporting e daria bem maior segurança no momento da perda da bola do que dá Gudelj. As estatísticas não deixam dúvidas sobre o polvo que é no meio campo: 85% duelos ganhos, maior taxa de acerto de passe no campeonato (90,3%), jogador do campeonato com mais passes por jogo em média (62). Um guerreiro em campo, que infelizmente se lesionou no último jogo da época e estará de fora uns 2 meses, perdendo assim o Sud-Americano sub20. Bastantes semelhanças com Ascacibar.

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Santiago Arzamendia – Lateral esquerdo de 20 anos do Cerro Porteño. Começou a carreira como extremo, mas foi como defesa que nos últimos 12 meses mais brilhou, tendo exibições brilhantes na Libertadores na caminhada da sua equipa até aos 16 avos de final. Destaca-se essencialmente pelo que oferece no ataque: rápido, baixinho, mas rijo que nem pedra, canhoto mas praticamente ambidestro. Técnica e relação com a bola ao nível do melhor que se vê mundialmente num jogador desta posição. Perito no cruzamento tenso a cair entre central e guarda redes (só de imaginar Dost a ter aquele tipo de serviço…), varia o seu jogo procurando muito o espaço inteiro, inclusive cruzamentos com o pé direito, tendo também uma batida de bola fabulosa que dá para livres directos / indirectos e cantos. Eu sei que parece que estou a exagerar e a bajular o jogador excessivamente, mas é mesmo incrível a gama de recursos que tem para oferecer no ataque, é o Brayan Vejar em melhor e mais completo. Terá a melhorar defensivamente, pois cai para fazer o tackle com demasiada facilidade, e há lances em que parece confiar em excesso na sua velocidade para recuperar posição. Coisas que daria para trabalhar com tempo e treino. Se fosse director desportivo do Sporting marcava voo para o Paraguai amanhã de manhã.

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Yarol Tafur – Médio ofensivo de 17 anos do Universidad Católica. Apesar da idade já está integrado no sub20 e a titular, prevendo-se que seja dos jogadores mais jovens a actuar no Sud-Americano, contabilizando alguns jogos a nível sénior pela Universidade Católica. Nas camadas jovens destacou-se sempre como um jogador à parte, e os [url=http://ecuafutbol.org/web/modal.php?cedula=0803896851]números provam-no[/url]. Talento de alto nível, pode actuar tanto pela direita como pela esquerda, e é muito forte no 1v1. Ainda alguma indefinição em termos posicionais, mas o talento e a relação com a bola são um regalo de se ver. Os torneios internacionais que se aproximam serão uma boa oportunidade para conhecer melhor o jogador, eu próprio tenho essa curiosidade, mas as referências são do melhor.

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Carlos Mejía – Extremo de 18 anos do CDS Vida. Visto como o melhor jogador a sair do país desde David Suazo (pela qual brilha regularmente no escalão sub20), Mejía tem como curiosidade o facto de ter treinado em Inglaterra durante 3 meses com o Manchester City há dois anos atrás, tendo sido inclusivamente aprovado e recebido uma oferta de contrato profissional, não tendo ficado por razões pessoais (problemas financeiros da família + mãe ficou doente). Algo que gerou algum azedume nos responsáveis do City, que já contavam com o jogador para o meter a rodar na Holanda, levando inclusive o scout do City David Guity a dizer que “os hondurenhos não têm fome de competir”, declarações que tiveram grande repercussão nas Honduras… logo, por agora Mejía continua no seu país natal. Futebolisticamente falando, é um extremo com uma velocidade estonteante, drible curto que faz com que “voe” deixando os defesas a comer pó. Muito boa relação com a baliza, rematando com ambos os pés, sendo a prova os 7 golos que marcou em 6 jogos na CONCACAF sub20. Precisará de ser mais regular e procurar mais soluções colectivas, mas é raro encontrar um jogador que drible à velocidade que Mejia o faz, não sendo de surpreender que o City o tenha querido contratar. Partilha várias semelhanças com Elves Baldé.

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