Sporting 19/20, o que esperar?

 

“What I really liked about our game was the square in midfield and the runs in behind of our wingers. With Justin Kluivert and David Neres we had at one point two wingers that were unstoppable. Hakim Ziyech was right behind the attackers with the through ball, Donny van de Beek provided the depth runs from midfield, and in the base of midfield were Lasse Schöne and Frenkie de Jong. Lasse a bit more to the right in midfield, behind Hakim, and Frenkie shifted to Lasse’s left. Having an extra midfielder meant they not only supported each other if the team lost the ball, but it also meant the team had extra options in possession. It was a pleasure to keep on refining our playing style. Specifically, we were working on varying more our offensive play. If Hakim had the ball at the right half-space, Justin had to cut inside or Donny had to make a depth-run behind the defence, because they knew where Hakim would put it. One of many examples of those variants. If you control some of them, you become very unpredictable and difficult to stop. The players shared that conviction.”

Foi assim que Keizer falou do seu tempo no Ajax num entrevista após a sua saída. Marcel Keizer começou por montar uma equipa no até lá seu sistema favorito, um 4x3x3com De Jong ou Schöne como médio-defensivo e dois interiores com características diferentes, Zyech como unidade mais criativa e Van de Beek a oferecer um ataque à linha defensiva desde o meio-campo. A função dos extremos era atacar a profundidade à espera de uma bola nas costas da defensiva adversária.

No entanto, levado pela ausência de laterais que oferecessem profundidade no plantel e assim garantissem a largura necessária para esticar a linha defensiva, criar dúvida e permitir a entrada nas costas da mesma, teriam de ser os extremos a garantir essa mesma largura. Para além disso, também na construção era preciso mais segurança, já que alguns golos resultavam de erros na construção, demasiado previsível já que abdicavam dos laterais e tentavam sempre progredir pelo pivot defensivo. Assim, para garantir a mesma ocupação da linha defensiva, os interiores teriam de se posicionar mais adiantados durante mais tempo. Como resultado, fazendo uso da enorme capacidade de Frenkie de Jong em condução e da sua resistência à pressão, adaptou o talentoso holandês a defesa central que no momento ofensivo progredia para o meio-campo, criando uma situação de superioridade numérica local.

Se à primeira vista esta solução mais parecia ter surgido por necessidade e pelo perfil dos jogadores, após os primeiros tempos no Sporting pudemos ver Marcel Keizer a privilegiar um duplo pivot atrás da primeira linha de pressão. Assim, esse “desenho” parece ter ganho importância nos últimos tempos para o treinador holandês. Mais se acrescenta que, para além desse duplo-pivot, uma dinâmica que fomos vendo aparecer foi o uso de um defesa lateral mais “conservador” (Borja), com o extremo desse lado a garantir a largura (Acuña) e com o médio ofensivo (Bruno Fernandes) a cair no half-space desse mesmo lado. Esta dinâmica permitia rotações mais ou menos comuns, com Bruno Fernandes caindo muitas vezes na linha lateral esquerda (No programa “Titulares” da SportTV onde Bruno Fernandes proferiu as declarações que se tornaram famosas quando fala de ter explicado ao Luiz Phellype como teria de atacar a bola visto ele estar a cruzar com o seu pé mais fraco, o esquerdo, é um indicador do treino dessas mesmas dinâmicas onde o Bruno acabava por assumir posições mais sobre o lado esquerdo). Já do lado direito, o perfil era outro. Primeiro com Diaby e depois com Raphinha, o halfspace direito era ocupado por um jogador com maior liberdade para procurar as costas da defensiva contrária ou para aparecer no espaço deixado pelo ponta-de-lança (Luiz Phellype). A largura ficava a cargo de Ristovski e o médio de cariz mais defensivo, neste caso Gudelj, permanecia desse lado de modo a tentar garantir um maior equilíbrio. Deste modo, era possível ver a formação de algo que se assemelhava ao que Keizer referia nessa mesma entrevista. A tal “caixa” que permitia variabilidade a nível ofensivo, segurança defensiva e superioridade no meio-campo e que pode ser construída de diferentes formas, dependendo das características do plantel.

“My aim was not in doubt, but without the overlapping wing defenders we had to look for an alternative route to that goal. I want to play with a lot of movement in my team. I don’t like fixed formations, but if I have to choose, a 4–3–3 and a 3–4–3 with a square in midfield are the ideal formations for me. That can be with fullbacks that are very high and the wingers on the inside, but also with a winger on the outside and a retracted defender. There are so many possibilities and variants to apply. As long as it is clear to the players what is needed and when. It takes a lot of discipline on the part of the players, but at the same time they have a lot of freedom within those limits.”

Este tipo de abordagem tem estado em voga, sendo usado por vários treinados,  inclusive por um de uma escola  semelhante, Bosz, que antecedeu Keizer no Ajax e agora se encontra ao serviço do Leverkusen. Temos um exemplo disso mesmo neste tweet do Ricardo Alves, analista do Tondela.

Embora neste caso Havertz e Julian Brandt sejam de características diferentes daqueles utilizados pelo Sporting, desempenham funções algo parecidos. Também estruturalmente temos equipas com abordagens semelhantes, como é o caso do PSG.

Tendo em conta as características dos jogadores contratados e dos jogadores apontados à equipa, penso ser algo dentro deste género o objetivo para a próxima época. Ora vejamos:

Vietto foi o primeiro a ser contratado, envolvido no negócio Gelson. O argentino chega ao Sporting depois de longos períodos “apagado” depois de ter dado nas vistas na primeira época no Villarreal. A época no Fulham foi um fracasso, tanto colectivo como individual. O argentino joga como avançado, médio ofensivo ou como extremo. No entanto, é ali partindo entre-linhas que o Argentino parece mais confortável. Uma grande aceleração, agilidade e capacidade técnicas que o fazem capaz de actuar em espaços curtos. Pode actuar tanto no papel de “criador” como no papel de “avançado”, procurando as costas da linha defensiva ou os espaços originados pelo avançado. Pode então actuar partindo da posição de 10 ou (na minha opinião o melhor papel) como faz Havertz no Leverkusen, como falso extremo, que liberta o corredor para o lateral e assume uma posição mais interior. Trossard extremo/médio ofensivo Belga foi também apontado ao Sporting e encaixaria na perfeição neste papel, tendo entretanto já rumado a Inglaterra.

Nesta perspetiva, o lateral-direito que tem sido apontado ao Sporting faz todo o sentido. Rosier, lateral francês do Dijon parece capaz de assumir o corredor todo, garantindo a largura. Tecnicamente evoluído, parece ter a capacidade física para as funções que penso Keizer idealiza para a posição.

Para as duas posições do duplo pivot tem sido apontados jogadores como Eduardo e Robertone, para complementar Wendel e Doumbia. Nenhum deles é um médio defensivo clássico, mas todos apresentam características para jogar num duplo pivot. Daniel Bragança é um dos melhores produtos da formação do Sporting e encaixaria perfeitamente nesta posição. Sendo Robertone um médio com chegada à área, poderá também atuar no posto de número 10.

Mas para essa posição o ideal, na minha opinião, seria mesmo o ucraniano Malinovsky. No entanto parece ser demasiado caro. Mas se o perfil for esse parece-me ser bem escolhido. Capaz de criar superioridade nos momentos de construção, bem como de participar na criação, procurando colegas em ruptura ou fazer uso do seu forte remate. Na minha opinião falta, de qualquer das formas, um jogador com um perfil parecido para colmatar em parte a saída de Bruno Fernandes.

No capítulo dos extremos, Raphinha parte da esquerda como “avançado”. Matheus Pereira pode partir da esquerda como “criador”. Antony, o “Robben” brasileiro que foi apontado ao Sporting pode ser bem interessante, atraindo os adversários com o seu drible com o pé esquerdo, para depois libertar. Se do lado esquerdo é previsível que Acuña assuma as despesas da largura, é importante contratar algum extremo destro com um perfil diferente.

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