Apesar de não deslumbrar, esta Itália merecia mais

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No jogo em que Portugal carimbou a passagem à Final 4 da Liga das Nações, assistimos ao regresso do futebol ultradefensivo de Fernando Santos. Depois de 2/3 jogos onde Portugal apresentou um nível ligeiramente melhor e onde já se escreviam teorias de como Portugal só tinha o comportamento defensivo que tinha devido ao efeito Ronaldo, Fernando Santos voltou à mesma fórmula aborrecida e que, na minha opinião, nos coloca sempre mais longe da vitória. Apesar de ter mudado o perfil dos jogadores eleitos, procurando jogadores capazes de guardar a bola e gerir o jogo com bola, basta o nível do adversário subir ligeiramente ou o empate ser um resultado favorável para voltar o bloco super baixo e compacto, com poucas ou nenhuma intenção de visar a baliza adversária.

Foi a isso que assistimos ontem. Um 4x1x4x1 a defender, com as duas linhas de quatro bastante juntas e a tentar impedir Itália de progredir pelo corredor central. Uma abordagem que colocou Portugal sempre muito próximo da sua área, entregando completamente a iniciativa de jogo aos italianos e sendo constantemente obrigado a tentar suster as ofensivas italianas. Um jogo muito pobre frente a uma Itália que, apesar de algumas boas individualidades, está longe dos seus tempos áureos e num processo de tentar renascer.

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Mancini foi eleito para começar esta tentativa de renascimento depois da desilusão que foi a não qualificação de Itália para o Mundial da Rússia. E apesar de os resultados não serem ainda os mais agradáveis, temos assistido a uma ligeira melhoria no jogo dos italianos, começando pela escolha do perfil dos jogadores.

Jorginho, Verratti e Insigne serão quiçá os maiores talentos do futebol italiano actual e prometem agora ter um papel mais preponderante no jogo italiano. E como tal, se é necessário aproveitar o talento destes jogadores, torna-se necessário também impor um modelo que potencia as qualidades destes jogadores e esconda as suas debilidades. Jorginho, Verratti e Insigne são os 3 jogadores sem um grande poderio físico nem os mais fortes nos duelos. Não são jogadores de transporte e correrias para tentar aproveitar as transições ofensivas de forma constante, como acontecia o catenaccio italiano. São sim jogadores de um jogo de posse, um jogo posicional, de espaços curtos. Jogadores cujas qualidades vêm ao de cima quando a equipa controla o jogo com a bola nos pés e tenta movimentar o adversário para abrir espaços, contando com a preciosa ajuda da sua qualidade técnica e percepção de jogo.

E assim foi no jogo de ontem, com uma Itália dominante, controlando a posse, tendo as melhores oportunidades e montando uma rede que quase nunca deixou Portugal sair para o ataque. Alinhados num 4x3x3, com um meio-campo composto por Jorginho como 6, Verrati sobre a meia esquerda, descendo bastantes vezes e Barella sobre a meia direita, numa posição mais diantada. Na construção de jogo, formava-se uma linha de 3, com os dois centrais, Bonucci e Chielini, mais o lateral direito Florenzi, que mantinha sempre um posicionamento mais baixo. Do outro lado, Biraghi oferecia largura e profundidade.  Este posicionamento do lateral-esquerdo permitia que Insigne, partindo da posição de extremo-esquerdo, se posicionasse muitas vezes entre-linhas no espaço à frente do central e do lateral direito portugueses, fazendo movimentos de aproximação.

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Assim, a construção de jogo italiana centrou-se muito sobre o lado esquerdo, onde se encontravam Verratti e Jorginho e onde os movimentos de aproximação de Insigne criavam superioridade numérica que os italianos tentavam aproveitar.

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Combinações rápidas entre os 3 criativos jogadore permitiam sempre a Insigne ou Verratti receberem entre-linhas e com espaço para criarem.

No entanto, ao jogo italiano faltou o resto. Assim que Insigne recebia enquadrado entre-linhas, havia sempre demasiada pressa em tentar fazer o último passe, criar logo dali a oportunidade, sendo que Immobile ofereceu pouco apoio para se tentar criar algo mais eleborado. Em vez disso, tentou sempre desmarcar-se mas, era sempre uma referência muito fácil para os centrais portugueses. Do outro lado, também Chiesa mostrou poucos movimentos que pudesses ser perigosos, adoptando sempre um posicionamento menos “atrevido” e mais  conservador.

Assim, uma solução que Itália poderia ter explorado seria a introdução de um elemento que recuasse mais na posição 9 (talvez experimentar Berardi como falso 9?), tirando as referências aos centrais portugueses que, no modelo de Fernando Santos, facilmente se deixam arrastar. Ao mesmo tempo, procurar que Biraghi de um lado mas principalmente Chiesa, realizassem mais movimentos diagonais, atacando a profundidade e colocando-se em posições ótimas para receberem as bolas de Insigne e Verratti. Papel esse que poderia ter sido desempenhado na perfeição por Bernadeshi na ala direita.

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