Arthur, um centro-campista à Barça!

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Como em todos os contextos, depois dos melhores vêm sempre momentos de menor fulgor. É assim por exemplo com a Apple. Após a morte de Steve Jobs a multinacional não conseguiu ainda voltar a espantar o mundo com a sua inovação. É assim em todos os contextos. Porque os melhores são difíceis de imitar ou substituir.

Sergi Busquets, Xavi e Andrés Iniesta formaram aquele que é, para mim e para muitos, o melhor trio de meio-campo da história. Ou pelo menos de todos os que vi jogar. Acompanhados por Messi, que se juntava a eles, pareciam entrar em campo para jogar ao meiinho com os adversários. Aquelas trocas de bola rápidas, as constantes triangulações, as movimentações em procura do espaço para jogar. Parecia impossível parar aquele Barcelona. Dizia Guardiola na mais recente entrevista com Jorge Valdano que “A los jugadores que tuve en el Barça ni asesinándoles les quitabas el balón”.  Pareciam as rodas dentadas de um relógio perfeito, que nunca se atrasava nem adiantava. Que tudo era feito no ritmo certo.

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Mas se por um lado conseguiam dominar sempre o ritmo do jogo e manipulá-lo a seu bel-prazer, a inevitável marcha do tempo revelou-se impossível de parar. Guardiola saiu, em busca de novos desafios. Seguiu-se-lhe Xavi, que se preparar para um dia voltar como treinador. Agora Iniesta rumou a terras asiáticas. E se os melhores são difíceis de substituir, este meio-campo do Barça perdurará sem equivalentes durante muitos anos. E quiçá esse seja o maior reconhecimento da sua qualidade.

O Barça continuou a ganhar, mas o perfume da equipa já não era o mesmo. As engrenagens saltavam aqui e ali, os adversários já não sentiam que era impossível tirar-lhes a bola, já não sentiam que o meio-campo catalão ia jogar ao meiinho com eles. Já não havia Guardiola, nem Xavi, nem Iniesta. E foram muitas as tentativas de encontrar um substituto. Rakitic, André Gomes, Halilovic, Rafinha, Dénis Suarez, Arda Turan, Paulinho. Nenhum tinha o ADN Barça, nenhum tinha aquela arrogancia de entrar em campo para enlouquecer o adversários com os seus passes constantes, ninguém encontrava os espaços como dantes, niguém entendia o ritmo.

Mas numa viagem ao Brasil, o Barcelona parece ter encontrado alguém com o perfil certo para o centro do terreno. Alguém para fazer companhia a Busquets e Messi que ainda resistem ao tempo que já levou comsigo Xavi e Iniesta.

Contratado ao Grémio, clube de onde já saiu um dos melhores de sempre, isto é, Ronaldinho Gaúcho, Arthur chegou a Barcelona como uma incógnita para muitos. “Mais um desconhecido… Nunca voltaremos a ter aquele meio-campo”, “Mais um que não serve para acompanhar Messi” etc. Mas a verdade é que Arthur parece ter o perfil que há muito faltava em Barcelona. A forma como recebe a bola, o seu primeiro toque, a forma como levanta a cabeça, sempre em busca de espaço, sempre à procura de combinar com os colegas. E mal esse espaço se fecha ou é usado, parte em busca de mais espaço. A percepção espaço-tempo que Xavi tanto fala nas suas entrevistas, as voltas que dá sobre si, a forma como protege a bola e engana o adversário. As características que o Barça precisa estão lá todas. Falta continuar a crescer junto dos melhores,

A exibição que ontem encantou Wembley.

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