E os colombianos disseram: “La pelota siempre al Diez!”

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Juan Fernando Quintero. Não, este não é o típico texto que costumo escrever por cá. Não é um texto de scouting onde acompanho uma jovem promessa, nem é uma análise de algum aspecto tático nem nenhum outro tema usual por cá. É, sim, um texto de elogio a um jogador.

Juan Fernando Quintero é um jogador que diria nasceu na época errada. Pertencente aos quandros do FC Porto, o colombiano faz lembrar os grandes números 10 de outrora. Um perfil que se vê cada vez menos e que parece já só ter espaço no futebol da américa latina.

Dono de um toque de bola elegante, possuiu uma imaginação inesgotável. Uma combinação que só podia resultar em inúmeros momentos “Uau” nos seus jogos. Quintero vê passes onde outros não conseguem imaginar, executa-os com uma naturalidade tal que parece jogar de cadeirinha, sem fazer correr uma pinga de suor. Curtos, longos, por cima, rasteiros, com a parte de dentro, de fora ou até com o calcanhar. A precisão com que Quintero executa passes que muitos não pensariam sequer existir é apaixonante e não permite que quem gosta de futebol lhe fique indiferente.

Quanto Quintero joga, todo o jogo ofensivo passa por ele. É ele quem o ordena e encontra soluções no meio do caos. É ele quem faz movimentar o adversário e abre brechas para os colegas. São aqueles passes que o adversário pensa que consegue interceptar e falha só por um bocadinho. Quando joga, a bola é de Quintero.

A magia que Quintero transporta para o seu jogo é a magia que nos fez a todos apaixonar pelo jogo. Não teve sucesso na Europa, onde o jogo está cada vez mais rápido e onde todos necessitam de subir, correr, descer, defender. Onde desapareceram os números 10. Onde não há Riquelmes, Aimares ou Ruis Costas. Mas é precisamente da imaginação de Quintero que a Europa precisa para desfazer os autocarros que vemos todos os fins-de-semana.

Na Colombia há outro 10. Um 10 mais moderno. Com um físico pronto para o futebol europeu. Capaz de aguentar o choque, capaz de correr o jogo todo, subir e descer, defender e atacar. Falo de James. Que goza já de um sucesso e um curriculo de respeito. Porto, Mónaco, Real e Bayern. Um currículo que Quintero poderá nunca alcançar. Mas que não retira a Quintero toda a beleza do seu jogo.

Um cliché mas verdade. A bola sorri nos pés de Juan Fernando. E sorri porque sabe que algo de mágico poderá sair dali. Sabe que não vai ser pontapeada à toa, que não vai andar aos repelões. Que está nos pés de quem a ama. De quem a quer ter sempre no pé. De quem ia com ela para a escola, de quem voltava com ela e passava a tarde com ela. Porque Quintero certamente era esse rapaz.

Talvez um dia voltemos a ver Quintero na Europa, onde merecem estar os melhores. Talvez ele consiga finalmente transportar todo o seu jogo para o velho continente e encantar-nos todos os fins-de-semana. Talvez consiga encontrar o contexto certo para tal.

Talvez o texto pareça demasiado bajulador, mas achei que estava na altura de mostrar o meu encanto por Quintero.

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