O que procuro num médio

Como o nome e slogan do blog indicam, acabo por dar imensa importância aos médios de uma equipa. É para mim o sector mais fucral da equipa e aquela que poderá ou não permitir o domínio total, como ambiciono, do adversário. Primeiro porque toda a construção de jogo acaba, de uma maneira ou de outra, por passar por aqui. É o sector onde é possível criar todo o jogo e onde reside a “personalidade” de uma equipa: se será uma equipa de posse e domínio total do adversário, se será uma equipa criativa, se será uma equipa que baseie o seu jogo em transições quer ofensivas quer defensivas etc. Posto isto, reflectirei neste post, como fiz em tempos para outra posição (Aqui) sobre o que procuro num médio.

Mesmo admitindo que no mesmo meio-campo cabem diferentes tipos de médio, há algumas características que considero serem transversalmente necessárias a um médio para que este seja do meu agrado.

Antes de mais, pretendo que os meus médios sejam jogadores com elevada qualidade técnica, nomeadamente no capítulo do passe. Desta forma, não só são capazes de circular rapidamente a bola para desposicionar o adversário e manter a posse da bola, como serão capazes de aproveitar as brechas abertas pelo desposicionamento adversário por eles causado. Para além disto, uma equipa de domínio como a que idealizo irá, sem dúvida, encontrar vários blocos baixos bastante cerrados e onde será difícil a penetração, havendo muito pouco espaço. Desta forma, também os médios deverão ter uma qualidade técnica tal que lhes permita ter bola em espaços muito curtos e ser banstante resistentes à pressão, mantendo a posse e o controlo do esférico e permitindo a penetração mesmo nesses espaços cerrados. Sendo que, muitas vezes a qualidade técnica, por si só, não chega para desmontar organizações defensivas de qualidade. Desta forma, os médios deverão também, por natureza, serem jogadores bastante criativos e que encontrem soluções que outros não conseguem imaginar.

Neste vídeo podemos ver Leandro Paredes, excitante jovem médio defensivo argentino da Roma a demonstrar não só uma grande resistencia à pressão adversária, como grande qualidade técnica.

Já neste podemos observar David Silva, um dos melhores médios da actualidade a utilizar toda a sua criatividade e qualidade técnica mesmo em situações onde está a ser fortemente pressionado e com o espaço muito reduzido.

No capítulo do passe, pretendo que os médios sejam capazes então de circular rapidamente a bola se necessário, que coloquem passes verticais que quebrem linhas adversárias, que consigam colocar a bola em todos os sítios que considerem benéficos para a equipa.

Mas nem todas as características fundamentais que procuro em médios são demonstradas no momento com bola. Para além de toda a qualidade técnica e criatividade que o médio possa mostrar quando tem a bola nos seus pés, também deve estar numa constante recolha de informações do jogo em sua volta, de modo a perceber onde estão os seus colegas e quais os espaços ocupados pelo adversário, como também para procurar espaços livres, seja para colocar lá a bola ou para se colocar lá ele mesmo. A ocupação dos espaços livres certos é o que permite, muitas vezes, desmontar as defensivas contrárias, servindo de engodo e atraindo a si atenções que possibilitam a penetração por outros elementos  ou possibilita a circulação de bola e a quebra de linhas adversárias. Gosto de ver os médios a ocupar posições entre as linhas adversárias para que possam ser quebradas através do passe. Ou seja, os médios devem ser capazes de realizar um constante varrimento informativo do jogo em seu redor para tomar as melhores decisões conforme o posicionamento adversário e o posicionamento dos seus colegas, como podemos ver Weigl, o ainda jovem mas já sobejamente conhecido médio defensivo alemão, a procurar constantemente espaços vazios para se colocar e servir de opção aos seus colegas.

Também neste vídeo do YouTube onde se analisa um pouco do jogo de Toni Kroos, um dos melhores médios do mundo que conta já com um palmarés invejável e que lhe reserva um lugar na história do futebol, podem ser encontradas algumas destas características que descrevi ao longo do post.

Mas, também defensivamente a contribuição dos médios é gigantesca. Aqui chamo Patrick Vieira a explicar:

“As a defensive midfielder you must be tactically aware. You’re at the heart of the team so you have to hold everything together and allow other players to express themselves. To do this you need to talk a lot and use your brain, because quite often you have to be in the right place at the right time. You have to cover the gap between the midfield and the back four, cover the left and right full-backs when they go forward and the central defenders when they push further up the pitch.”

Patrick Vieira

Portanto, como anteriormente, a percepção do espaço e do jogo que os rodeia é essencial. Estar ciente do posicionamento dos colegas e dos adversários de modo a que se possa ele mesmo posicionar para evitar a progressão adversária e potenciar a recuperação da bola.

Em suma, um médio tem de ser um jogador bastante completo, com uma grande precepção do jogo em seu redor e que lhe permita a ocupação dos espaços certos, aliando isso a uma grande qualidade técnica e criatividade, que lhe permitam encontrar, imaginar e executar as melhores e mais imaginativas soluções , tornando o jogo da sua equipa inprevisível e dificultando a tarefa adversária.

 

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