Laterais: a nova evolução

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Ao longo dos últimos tempos, os laterais, jogadores anteriormente focados na fase defensiva, ganharam uma enorme preponderância ofensiva e tornaram-se peças vitais na manobra ofensiva de qualquer equipa.

Contudo, esta evolução ofensiva dos laterais levou, como consequência, a uma evolução defensiva e a uma maior exigência de recursos ofensivos por parte desses mesmos laterais. Estas crescentes exigências levaram a duas situações: por um lado encontrar laterais capazes de corresponder ao exigido em termos ofensivos e por outro os que conseguem alcançar os níveis exigidos no plano ofensivo revelam uma tendência para descompensar as equipas defensivamente, criando dificuldades nesse plano.

Estes problemas levaram a que os treinadores reflectissem tendo como objectivo solucionar alguns destes problemas.

Alguns treinadores, como por exemplo Pochettino, não parece disposto a abdicar da importância de ter duas unidades bastante ofensivas e capazes de conferir largura à sua equipa. Também Conte parece ser adepto desta ideia. Esta pode ser a razão pela qual ambos os treinadores adoptaram um 3-4-3 com 3 centrais e dois alas, responsáveis por conferir largura máxima à sua equipa no momento ofensivo. Para além dos 3 centrais, que permitem criar superioridade numérica em fase de construção permitindo uma saída “limpa” de bola desde terrenos recuados, no meio-campo da equipa também há um espaço reservador para um recuperador de bolas, nomeadamente Wanyama e Kanté. Estes treinadores acreditam que esta solução lhes permite alguma segurança defensiva, fazendo com que os alas tenham tempo de recuperar defensivamente.

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Outros treinadores, porém, preferem não os adiantar tanto no terreno tão frequentemente, incluindo-os mais vezes em fases de construção. Guardiola nos últimos tempos testou variadas vezes colocar os laterais em posições mais interiores, quase como médios, de modo a conseguir progredir desde trás e soltando os médios mais criativos para terrenos mais avançados para que estes estejam mais próximos da baliza e onde possam ser mais decisivos. Nesta solução, quem está responsável por oferecer a largura são os extremos. Este posicionamento mais aberto que os extremos tomam leva a que se criem com maior facilidade situações de 1×1. Sané e Sterling são inumeras vezes colocados, deliberadamente, em situações destas.

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Outra das opções para incorporar os laterais na construção é usada por vezes por Sarri. O treinador napolitano, por vezes, coloca o lateral próximo dos centrais aquando da saída de bola, ao invés do médio defensivo como se tem vindo a popularizar. Esta solução liberta o médio defensivo para posições mais adiantadas do terreno. Penso que Sarri valoriza esta situação porque a forma criada no centro do terreno auxilia os jogadores nos movimentos padrão do Nápoles onde se aplicam inumeras vezes o princípio de 3º homem, em movimentos muitas vezes apelidados de “wall pass”, criando espaço nas costas do primeiro receptor, que poderá ser aproveitado por um 3º jogador.

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Por onde passará a evolução da posição de lateral? Estaremos a presenciar uma mudança de paradigma nesta posição? Ou urge melhorar, ao invés, os métodos de treino e de formação nesta posição para que os jogadores possam atingir os níveis ofensivos pretendidos sem compremeter defensivamente?

 

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