Las Palmas e Sevilha: diferenças na construção

Como já aqui foi dito na semana passada, o Sevilha tem problemas, na minha opinião, na primeira fase de construção. Os médios descem demasiado, chegando quase a vir tirar a bola do pé do central, impedindo uma boa ocupação do espaço central dentro do bloco adversário. Isto leva a que os médios tenham de arriscar passes verticais com grande probabilidade de insucesso ou então que levem o jogo para as alas. Ora, existem duas consequências disto:

  1. Se o passe vertical do médio é interceptado,o adversário fica com muito espaço para delinear bem uma transição rápida, uma vez que não há ocupação do espaço central.
  2. A lateralização do jogo na fase de construção orienta a equipa para as alas, mesmo em fase de criação, o que retira algumas vantagens que derivam da utilização do corredor central no momento ofensivo.02a3uzn

Este é, para mim, um dos principais problemas do Sevilha actual. Este posicionamento menos eficiente na construção leva a que a equipa não aproveite na plenitude os seus recursos. A linha lateral leva, à priori, a uma diminuição das opções. No corredor central é possível criar muito mais dúvida ao adversário, pelo que deve tentar utilizar-se ao máximo.

Talvez a razão pela qual Sampaoli faz isto seja por os centrais não serem particularmente fortes na construção, o que leva a que não confie tanto neles para iniciar a construção. Ainda assim penso que a solução poderia passar por outros meios. Um deles seria abandonar, por agora, o esquema de 3 centrais e apostar numa saída de bola semelhante à que Jesus cria nas suas equipas, com N’Zonzi a aparecer entre os centrais no momento de construção, de modo a criar superioridade numérica. Outro seria incorporar um dos médios defensivos, N’Zonzi por exemplo, na defesa a 3, conferindo assim maior capacidade na saída de bola, o que iria permitir uma maior ocupação do corredor central dentro do bloco adversário por parte dos médios. Esta opção tem o problema de ser necessário tempo para que N’Zonzi crie rotinas próprias da linha defensiva, que demoram o seu tempo a assimilar correctamente.

Para além deste erro, também é comum precisamente o oposto, isto é, os médios não desceram, não criando assim superioridade numérica.

roque-mesa

Do outro lado esta uma equipa com uma construção de jogo que me agrada muito mais. O médio defensivo do Las Palmas desce, geralmente, para junto dos laterais para criar superioridade numérica e os outros dois médios fazem movimentos de aproximação, oferecendo linhas de passe dentro do bloco adversário. Na saída de bola o Las Palmas é uma equipa muito mais compacta que o Sevilha, o que lhe permite entrar mais vezes dentro do bloco adversário e ter uma saída de bola muito mais fluida. O guarda-redes canarinho também tenta participar na construção porém, apesar de ter bons pés, a sua tomada de decisão é geralmente fraca, originando vários erros que poderão custar ao Las Palmas uma contra ataque perigoso e consequentemente golos. Hallilovic aparece também muitas vezes a receber dentro do bloco, no lugar de um médio deixando o corredor para o lateral-direito, entretanto projectado, oferecendo assim mais uma linha de passe que permite ao Las Palmas penetrar o bloco adversário.

las-palmas

Excelente posicionamento por parte do Las Palmas na construção. Neste caso o passe não foi o melhor o que levou a que a decisão tomada pelo médio que recebe dentro do bloco não fosse a melhor. Tocando para o lado oposto, Roque Mesa recebia enquadrado e já em progressão, num movimento que seria semelhante a um muito visto no jogo do Nápoles.

Outras situações de construção por parte do Las Palmas, com bons posicionamentos.

Neste próximo vídeo vemos a boa circulação do Las Palmas, com os jogadores sempre preocupados em dar linha de passe e em manter a posse em segurança, ao mesmo tempo que tentam penetrar no bloco. Se tivermos atenção ao médio defensivo vemos a preocupação dele em saber quando é necessário descer para entre os centrais para criar superioridade numérica ou quando não é preciso, colocando-se mais à frente, dando uma linha de passe que permita progredir. Bem diferente do que acontece no Sevilha.

E neste pequeno vídeo podemos ver uma má tomada de decisão por parte do guarda-redes que decide iniciar a construção de forma curta quando não estava criada uma situação numérica e posicionalmente favorável. Posicionamento deficitário.

O ponto fraco desta equipa das canárias é o momento defensivo, tanto em transição (apesar de até criarem algumas boas contenções ofensivas, nomeadamente por parte de Roque Mesa), como em organização, onde são bastante fracos e permeáveis, o que os impede de estarem numa posição mais elevada na tabela.

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