As equipas que mais me entusiasmam – Fiorentina

Hoje começa uma série onde tenciono falar-vos das equipas que mais me entusiasmam neste momento, aquelas que mais prazer me dão ver jogar, mesmo que cometam erros em algum momento do jogo, mesmo que não concorde com algo no seu modelo… Excluo no entanto o campeonato português. Acho que já muito foi falado noutros sítios. As únicas duas equipas com comportamentos de topo são o Sporting, orientado por JJ, e o Braga, comandado por Paulo Fonseca. No último jogo da taça vimos isso mesmo. O melhor jogo em território português esta época, entre as duas equipas que melhor futebol apresentam e, apesar de ter ficado triste com o resultado (eliminação do Sporting), foi um grande jogo de futebol!

Fiorentina

Começo por falar do campeonato italiano. Sim, o calcio que parecia morto parece estar a reavivar-se com a chegada (finalmente, diga-se!) de treinadores com qualidade, inovadores e que privilegiam o futebol de qualidade, de posse e ofensivo, de controlo sobre o adversário. Estes treinadores são o português Paulo Sousa e o italiano Sarri.

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Começando pelo português, ao comando da Fiorentina tem encantado Itália e os amantes de futebol com o seu futebol positivo e ideias inovadoras. Claramente um modelo de equipa grande. Os Viola são uma equipa de posse e circulação de bola, apostando na qualidade técnica dos seus jogadores.

Em momento ofensivo a equipa monta-se num 3-4-2-1, sendo que os 3 homens da linha defensiva formam um triângulo, como mostra a figura.

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Os dois centrais mais “abertos” (neste caso Astori e Roncaglia) são normalmente o primeiros construtores de jogo e gostam de progredir com bola no pé, penetrando no bloco adversário, desorganizando o oponente. Os dois médios centro oferecem linha de passe aos centrais, garantindo uma boa circulação de bola. Esta para mim é a melhor inovação de Paulo Sousa, não se vêem muitas equipas com uma saída de bola como a dos Viola.

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Fonte: Runningtheshowblog.wordpress.com

Nesta imagem vemos claramente este esquema da Fiorentina no princípio do momento ofensivo.

Os laterais/alas tem liberdade para subir, oferecendo largura à equipa. No início do moento ofensivo são mais uma linha de passe para os centrais.

O meio campo dos Viola é, também, diferente do que estou habituado. Normalmente vejo um meio campo a 3 onde formam um triangulo com um pivot defensivo ou com um duplo pivot. Ou um meio campo a 4 losângulo ou com dois jogadores lado a lado e dois alas. Aqui no modelo de Paulo Sousa vemos um quadrado, formado por dois médios mais defensivos e dois médios mais ofensivos. Os dois médios mais defensivos, como já referi, oferecem linha de passe aos centrais e são bons na circulação de bola. Já os dois médios mais ofensivos tem como principal função alimentar o ponta-de-lança da equipa. Também recebem bastantes bolas vindas dos centrais, passes que queimam bastantes linhas adversárias. Sobem e apoiam o ponta-de-lança da equipa. Jogam essencialmente entre as linhas defensiva e média adversárias e entre o central e o lateral, desequilibrando bastante. A capacidade de passe de ambos é brilhante e são peças absolutamente essenciais no modelo de jogo de Paulo Sousa.

No que toca ao momento defensivo a equipa transforma-se num 4-4-2. O ala esquerdo transforma-se num lateral esquerdo, o central mais à esquerda e o central mais central formam a dupla de centrais e o central mais à direita funciona como um lateral direito, formando assim uma linha de quatro. O ala direito, por sua vez, passará a funcionar como interior direito.

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Como principal defeito aponto-lhes o facto de muitos dos seus movimentos estarem muito mecanizados e por isso sendo facilmente identificáveis e portanto anuláveis, o que pode pesar na segunda ronda, onde já não contarão com o factor surpresa e onde defrontarão adversários que já os conhecem. Eu defendo, precisamente por isto, um modelo de jogo onde os jogadores percebam os momentos de jogo e onde os movimentos não sejam decorados, mecanizados, mas sim algo fluído, intuitivo e natural. Este é o principal defeito que lhes consigo apontar.

No entanto, não deixam de ser uma equipa com bons princípios, com um modelo de jogo inovador e com um treinador jovem, com muito para evoluir e que se pode tornar muito grande. O outrora médio pode vir a tornar-se o próximo grande treinador português. Para já vai encantando com a sua Fiorentina.

 

Bons jogos e boas vitórias Paulo Sousa!

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2 Replies to “As equipas que mais me entusiasmam – Fiorentina”

  1. Bom post. Não sei se percebi exatamente a que te referes quando falas da mecanização excessiva deles, mas se percebi bem concordo. Eu acho que é uma equipa com uma fase de construção(ou seja, mais recuada) muitíssimo interessante, com muitos apoios e imensas soluções para sair da pressão, mas que depois na fase de criação(dentro do bloco adversário, no último terço normalmente) é um bocado limitada porque aposta demasiado em jogo exterior, não tendo a panóplia de soluções que tem em fases mais recuadas e, como consequência, tem algumas dificuldades em desfazer blocos compactos. Defensivamente é interessante, mas se compararmos com o Nápoles ou mesmo com o Empoli(continuam a jogar muito, projeto interessantíssimo o deles) ficam um bocado áquem. Especialmente na coordenação da última linha.

    Ah, e isto não relacionado com o que escreveste, acho o plantel da Fiorentina muito subvalorizado. O Sarri bem dizia no ano passado que era a equipa com mais qualidade técnica em Itália, e eu acho que concordo(pelo menos no meu top3 está, a esse respeito). Qualidade técnica e criatividade, acrescento, que juntar Valero, Matias, Ilicic, Bernardeschi e Rossi( :venia: ) no mesmo plantel não é brincadeira nenhuma.

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  2. Sim, os movimentos são muito mecanizados, tanto ofensivamente como defensivamente. Cada jogador sabe a sua função, sabe o sítio onde deve estar e o que deve fazer. Mas e se, por alguma razão, certo jogador se encontra fora de posição ou falta um jogador ou assim… A equipa não sabe muito bem como se adaptar, isto é, eles não estão preparados para todos os momentos do jogo porque memorizaram o jogo, os movimetos, os sítios onde devem estar e não estão preocupados em perceber o jogo. É o confronto futebol memorizado vs futebol percebido.
    E sim, o plantel é muito bom, muita qualidade técnica, mesmo nos centrais e aquele meio campo é fantástico, com o Valero, para mim, à cabeça. Grande, grande jogador, muito subvalorizado.
    Ainda assim, muito mérito para Paulo Sousa na construção desta equipa.

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